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Os dias de Glória estão de volta

  • Foto do escritor: Alunos UVA
    Alunos UVA
  • 28 de nov. de 2025
  • 13 min de leitura

O bairro histórico que não se resume à feira, preserva o charme dos tempos antigos e respira esperança de dias melhores.


Por Mateus Castanho e Van Alves.

Orla da Prainha da Glória													Foto: Mateus Castanho
Orla da Prainha da Glória Foto: Mateus Castanho

O dia já tinha amanhecido. No céu, um azul forte e vibrante me convidava a aproveitar o calor que se apresentava. Por volta das nove horas da manhã, eu me encaminhava ao destino que era conhecer a prainha da Glória. Fui andando do ponto do metrô até a beira da praia.


Ao encontrar a placa que dizia que eu havia chegado, avisto um quiosque ao lado. Caminho até o balcão, chamo a atendente e lhe pergunto seu nome. “Crislaine”, responde a moça. Na placa do quiosque estava escrito “Barraca do Boca”. Depois de uma conversa curta, Crislaine me explica que “Boca” é seu pai, e que ela trabalha ali no único quiosque da praia.


Tradicional quiosque da praia 							Foto: Mateus Castanho
Tradicional quiosque da praia Foto: Mateus Castanho

A praia possui uma pequena faixa de areia com vista para o Pão de Açúcar à sua frente, e de costas para o Cristo Redentor. É o combo perfeito para turistas, duas vistas famosas da cidade em único lugar.


Crislaine me conta que o quiosque está ali há 31 anos, e que ela já viu mudanças no público frequentador da praia. Ela nota que novas pessoas estão conhecendo o local, que recebe cada vez mais gente.


Visão frontal do quiosque. 									Foto: Mateus Castanho
Visão frontal do quiosque. Foto: Mateus Castanho

Vídeos de redes sociais impulsionam a divulgação de lugares, antes mais reservados aos moradores, para o grande público. Também há o trabalho do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), que tem feito boletins de balneabilidade periódicos para divulgar quais praias estão próprias (recomendadas) para banho. A Prainha da Glória, localizada no Posto 0 do Aterro do Flamengo, esteve própria para banho na maior parte do ano de 2025.


Dados sobre o ano de 2025. Fonte: INEA
Dados sobre o ano de 2025. Fonte: INEA

A comerciante me explica que acompanha a vida marinha na praia e já presenciou diversas aparições especiais:


“Aqui tem uma quantidade muito grande de peixes, tartarugas, já apareceu golfinho e até pinguim”.


A praia tem sido procurada por muitos banhistas que preferem um pouco mais de sossego e tranquilidade. Andando pela faixa de areia, encontro dois amigos curtindo o dia. Me aproximo deles e me apresento. Explico que quero entender as percepções e a experiência deles ali. Os amigos deixam claro que a distância não é um problema e mesmo tendo opções mais próximas, escolheram a Prainha. 


Diego Duarte e Vinicius Marques, amigos moradores do bairro Madureira, na região norte do Rio, explicam que foram curtir o dia de folga. “Eu escolho vir a essa praia porque eu acho ela muito tranquila e muito calma. A gente se sente mais seguro de ir no mar, deixar os pertences na areia e voltar depois.”, comenta Diego. 


Os amigos Diego Duarte e Vinicius Marques. 		Foto: Mateus Castanho
Os amigos Diego Duarte e Vinicius Marques. Foto: Mateus Castanho

Avisto também um entusiasmado grupo falando em espanhol. Tomás, Felipe e Diego, moradores de Santiago, no Chile. Converso com eles num espanhol aportuguesado, e, animados, não poupam elogios ao descrever suas experiências no local. “É uma praia lindíssima! Essa vista é inacreditável. As mulheres são lindas. A temperatura é perfeita, bem diferente do Chile.”, brinca Tomás, enquanto bebe uma lata de cerveja com os pés afundados na areia.


Nota-se que a praia tem problemas de limpeza, com algumas embalagens espalhadas pela areia e pombos em busca de comida. O mar estava claro, reluzindo o sol de forma intensa. As ondas são tímidas e pouco volumosas. Para um dia de descanso e relaxamento, a Prainha da Glória pode ser uma opção assertiva e sem grandes surpresas.


Compro uma água de côco na Barraca do Boca e me despeço de Crislaine, agradecendo pelo atendimento e gentileza por ter respondido às minhas perguntas. Ela, atarefada, faz uma caipirinha enquanto me pergunta se vou pagar no crédito ou débito.


Cadeiras de plástico em frente ao mar numa tarde de sol.                   Foto: Mateus Castanho
Cadeiras de plástico em frente ao mar numa tarde de sol. Foto: Mateus Castanho

Jovens que crescem no silêncio das marés


A tartaruga-verde que circula pela Prainha da Glória poderia ser tratada apenas como mais um animal marinho que aparece por ali, mas quem observa com calma percebe que ela se comporta quase como uma moradora silenciosa do bairro. Todas as manhãs, quando a luz bate nas pedras escuras da Marina, ela surge devagar, rompendo a superfície com a cabeça arredondada antes de mergulhar de novo, como quem checa se o dia começou do jeito certo. Conhece cada curva do costão, cada faixa de algas que cresce entre as rochas e cada cardume que passa por ali. 


Tartaruga-verde surgindo para apreciar o amanhecer. Foto: Mateus Castanho
Tartaruga-verde surgindo para apreciar o amanhecer. Foto: Mateus Castanho

Para ela, a Baía de Guanabara funciona como um refúgio temporário e não uma casa definitiva, mas um espaço de juventude. Ela não nasceu ali e não pretende ficar até o fim da vida. Aquele trecho da baía é, sobretudo, um ponto de alimentação, águas calmas e o abrigo da maré. Mas esse aparente paraíso esconde riscos. 


O biólogo e especialista em Zoologia Diego Pereira Mendes, explica: “A Baía de Guanabara não é adequada para a vida das tartarugas. Ainda assim, elas utilizam a área como zona de alimentação, porque há muito alimento disponível, como algas nos costões rochosos. Isso resulta em maior exposição à poluição, doenças e traumas. A maior doença é a fibropapilomatose, altamente associada à degradação ambiental do ambiente onde elas transitam. Não há reprodução na baía das espécies mais avisadas, como Chelonia mydas e Caretta caretta, apenas alimentação e descanso.”.


Ou seja, o que atrai a tartaruga é a fartura, mas o que a cerca é, ao mesmo tempo, um conjunto de perigos silenciosos.


É nesse cenário de beleza e fragilidade que a ONG Aruanã entra como uma espécie de guardiã. Há mais de dez anos na Baía de Guanabara, sua equipe monitora as tartarugas com capturas intencionais, um procedimento cuidadoso em que os animais são retirados momentaneamente da água para checar sinais vitais, medir, examinar, anilhar e acompanhar ao longo dos anos. 


Para muita gente, é apenas pesquisa. Para a tartaruga-verde, é uma pausa no dia, quase um breve encontro com aqueles humanos que conhecem seu peso, seus padrões de casco e até suas cicatrizes.


Tartaruga-verde descansando e boiando pela baía. Vídeo: Mateus Castanho

Assista ao minidocumentário sobre o monitoramento das tartarugas marinhas na Marina da Glória desenvolvido pelo Projeto Aruanã.


Enquanto isso, a vida na superfície segue outra lógica. Às vezes até golfinhos dão o ar da graça, e há registros de pinguins perdidos nas correntes frias. Mas nenhuma presença é tão constante e curiosa quanto a dela. Uma habitante temporária que atravessa o bairro pelo avesso, vendo a Glória de baixo para cima.


Ao final da tarde, quando o céu começa a mudar de cor e o movimento humano se recolhe, ela costuma se aproximar novamente das pedras, onde encontra abrigo e descanso. Mergulha devagar, afundando em direção ao fundo raso da baía com a tranquilidade de quem aprendeu a coexistir com um ambiente que é ao mesmo tempo generoso e hostil. E desaparece, por algumas horas, como quem guarda os pequenos segredos do mar que se revela no coração de um dos bairros mais charmosos do Rio.



O glorioso surgimento


Tarde ensolarada na Praça Paris.							Foto: Mateus Castanho
Tarde ensolarada na Praça Paris. Foto: Mateus Castanho

Não é novidade que a Glória tem sido procurada nos últimos tempos por cariocas e turistas aos domingos, por conta da feira que leva o nome do bairro. Mas para além do novo clássico dominical, o “nono bairro mais cool do mundo” em 2024, segundo a revista britânica Time, preserva a história dos tempos de surgimento da cidade.


Caminhar pelas ruas é ser confrontado por imponentes casarões centenários, que preservam um lado do Rio de Janeiro que ficou na memória dos mais velhos. Os frequentadores mais assíduos nas praças, calçadas e telhados são os pombos,  multiplicados e onipresentes em toda a região. O charmoso retrato do passado sob o olhar do presente, prédios muito antigos e telões de led gigantes.


Telão de LED em frente à Praça Paris.							Foto: Mateus Castanho
Telão de LED em frente à Praça Paris. Foto: Mateus Castanho

A sensação de experienciar o bairro pode mudar de acordo com o gosto particular de quem o vivencia, desde curtir uma noitada regada a boemia pelos bares ou se deliciar pelos passeios à luz do dia na companhia dos barulhentos pássaros em meio à natureza na cidade grande.


Plano Inclinado da Glória, inaugurado em 1944. 										Foto: Mateus Castanho
Plano Inclinado da Glória, inaugurado em 1944. Foto: Mateus Castanho
Marconi, Presidente da Associação de Moradores e Amigos da Glória (AMA-Glória) 			Foto: reprodução.
Marconi, Presidente da Associação de Moradores e Amigos da Glória (AMA-Glória) Foto: reprodução.

Restaurador por profissão, José Marconi Andrade é responsável por restaurar cenários para grandes produções audiovisuais na cidade, e também fundador do grupo S.O.S Patrimônio, referência na luta pela preservação do patrimônio histórico do Rio. Foi sua paixão pelo bairro que o tornou Presidente da Associação dos Moradores e Amigos da Glória (AMA-Glória).


Marconi defende que a cidade do Rio de Janeiro foi fundada na Glória, diferente do que consta em livros de História, onde se atesta que ela foi fundada na Urca, quando Estácio de Sá estabeleceu São Sebastião do Rio de Janeiro. Isso porque, segundo ele, a capital só foi originada de fato após a Batalha de Uruçumirim, ocorrida ali na região onde está o Outeiro da Glória.



O historiador e Professor de História Roberto Antunes.			Foto: Reprodução.
O historiador e Professor de História Roberto Antunes. Foto: Reprodução.

Se hoje é considerado um dos bairros mais cool do mundo, no passado foi cenário de batalhas territoriais, como conta o historiador Roberto Antunes.


“Realmente o bairro da Glória é um dos mais importantes em termos da história carioca, porque foi essencial na consolidação da presença portuguesa no nosso território.” 


Antunes explica que a Batalha de Uruçumirim ocorreu em 1957, quando os franceses tinham interesse em fazer do Rio “uma França tropical”, mas foram derrotados pelos portugueses. Ele comenta que os povos originários da região apoiavam os invasores europeus: o lado português apoiado pelos Temiminós, e o lado francês apoiado pelos Tamoios.


“Batalha essa que levou a morte de Estácio de Sá, sobrinho do governador geral Mem de Sá,  flechado, naquela batalha decisiva, fazendo ele se tornar um mítico herói, tendo uma imagem mitificada naquele momento histórico da cidade, e da presença portuguesa, a partir dali, consolidada.”, complementa.


Região onde a Batalha de Uruçumirim ocorreu. 					Foto: Mateus Castanho
Região onde a Batalha de Uruçumirim ocorreu. Foto: Mateus Castanho

O retorno dos dias de Glória


Se hoje o bairro está efervescente depois de décadas de decadência, a região começava a respirar um marco recente de valorização em 1992 com a reabertura da Praça Paris sendo modernizada e recebendo o espetáculo “Bibi canta Piaf”, show de Bibi Ferreira oferecido pela Prefeitura do Rio. 


O historiador comenta que a sensação de cantar Edith Piaf na Praça Paris foi “um glamour, como se dizia”, relembrou. “A partir dali a Glória começou a ter uma revitalização, mesmo que em alguns momentos decrescesse um pouco”.


Praça Paris, palco do show "Bibi Canta Piaf" em 1992.			Foto: Mateus Castanho
Praça Paris, palco do show "Bibi Canta Piaf" em 1992. Foto: Mateus Castanho

Ainda no século XX, o bairro abrigou o Hotel Glória, o primeiro hotel 5 estrelas do Brasil, sinônimo de luxo e exclusividade. Ao lado do Hotel Glória, está o prédio da Rede Manchete, projetado por Oscar Niemeyer na Rua do Russel, que foi a sede da emissora entre 1983 e 1999.


Respirando cultura, o bairro abriga a Marina da Glória, palco para shows dos maiores artistas brasileiros e feiras como a ArtRio, reconhecida como um dos mais relevantes eventos do calendário das artes da América Latina. 


Foi no Outeiro da Glória que Gal e Caetano fotografaram a capa do disco “Domingo”.


Saída A da estação de metrô da Glória. 				Foto: Mateus Castanho
Saída A da estação de metrô da Glória. Foto: Mateus Castanho

Marconi opina que a Feira da Glória é considerada a maior feira do Rio, e talvez do Brasil. Além disso, deixa claro seus fortes motivos para defender o bairro:


“Todo mundo quer morar na Glória, porque é um bairro calmo, pequeno, tranquilo. Primeiro bairro da zona sul, índice de criminalidade baixa, maior concentração de postes históricos da cidade, grandes construções, patrimônio histórico importante pra cidade: Palacete São Cornélio, Palácio São Joaquim, Outeiro da Glória, Praça Luís de Camões.”


De acordo com o último levantamento do Censo em 2022, o bairro possui cerca de 7.120 habitantes.
De acordo com o último levantamento do Censo em 2022, o bairro possui cerca de 7.120 habitantes.

A Glória não é só mar, é memória, símbolo e história


Vizinha da histórica Lapa, a Glória abriga guardiões do tempo, de memórias, símbolos e histórias. Espaços e monumentos atravessam eras e cada um deles não é apenas uma geolocalização no mapa, mas um personagem vivo na narrativa do cenário e da história carioca. 


Sobre o Morro da Glória foi erguida a Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, que hoje conhecida como Outeiro da Glória, observa a Cidade há quase três séculos. Preces, paredes barrocas e ventos sopram histórias, onde todas as manhãs o sol brilha e ao abrir suas portas, o Outeiro parece abrir os olhos para lembrar a Cidade que ali começou parte de sua memória afetiva. Altares e pedras que silenciam segredo desde 1739, fim de sua construção.


Imponente Igreja Nossa Senhora da Glória do Outeiro desde 1739. 					Foto: Mateus Castanho
Imponente Igreja Nossa Senhora da Glória do Outeiro desde 1739. Foto: Mateus Castanho

À beira da Marina, que também é ‘da Glória’, vive um senhor de terno branco de 103 anos que já viu e viveu grandes momentos. O Hotel Glória recebeu de braços abertos presidentes, artistas, incontáveis festas e inúmeros silêncios. Hoje, fechado e aguardando, o prédio parece respirar nostalgia, enquanto se prepara para renascer como Glória Residencial e abrigar famílias em espaços de 77 m² a 311 m², com até 4 suítes. 


Antigo Hotel Glória passa por reformas e se prepara para virar residencial. Foto: Mateus Castanho
Antigo Hotel Glória passa por reformas e se prepara para virar residencial. Foto: Mateus Castanho

Em contrapartida, a senhora com sua elegância única, a Praça Paris permanece viva com suas alamedas que parecem a barra de um vestido alinhado ao leve frescor da Glória. Às vésperas de completar 100 anos, ela observa, cheia de orgulho, o movimento das famílias e amigos em seus gramados, o compartilhar do lanche em piqueniques, os patos deslizando pelos seus lagos e sendo seus fiéis escudeiros em todos os momentos. Quando a luz dourada do fim de tarde toca seus canteiros, a Praça Paris acolhe, como que com um abraço, gente que vive onde o gramado vira casa.


Estátua de felino em frente ao lago da praça. Foto: Mateus Castanho
Estátua de felino em frente ao lago da praça. Foto: Mateus Castanho

O Relógio da Glória permanece ali, firme, como um velho guardião que já viu a cidade mudar de roupa inúmeras vezes. Aos 120 anos, ele carrega no peito  a serenidade de quem aprendeu a marcar não apenas as horas, mas a memória de um bairro inteiro. Ele observa a Rua da Glória como um sábio que já testemunhou bondes cruzando trilhos, ruas de paralelepípedo, a modernização de Pereira Passos e, mais tarde, o metrô passando silenciosamente sob seus pés.

O Relógio da Glória após sua revitalização. 							Foto: Mateus Castanho
O Relógio da Glória após sua revitalização. Foto: Mateus Castanho

O Memorial Getúlio Vargas se impõe na Praça Luís de Camões como um daqueles personagens que não precisam levantar a voz para serem notados. De fachada sóbria e olhar voltado para o passado, ele guarda, atrás das portas pesadas, décadas de decisões, conflitos e discursos que moldaram o país. Criado em 2004, meio século depois da morte do ex-presidente de mesmo nome, o Memorial age como um narrador silencioso da vida política brasileira. Observa o movimento do bairro, acompanha as crianças que brincam na praça e os moradores que atravessam o espaço sem se dar conta de que, ali, repousa um protagonista do século XX. Um personagem que, mesmo em absoluto silêncio, continua a provocar reflexões sobre poder, sobre democracia e sobre os rumos do Brasil.


A esquerda: O Memorial Getúlio Vargas é uma homenagem da Prefeitura do Rio ao ex-presidente. Foto: Reprodução																	A direita: Praça Luis de Camões. Foto: Mateus Castanho
A esquerda: O Memorial Getúlio Vargas é uma homenagem da Prefeitura do Rio ao ex-presidente. Foto: Reprodução A direita: Praça Luis de Camões. Foto: Mateus Castanho

As ruas estreitas da Glória, ladeadas por casarões antigos, caminham como senhoras que envelheceram com elegância. Com rugas, com marcas, mas mantendo o charme de quem viveu histórias demais para serem esquecidas. Quando a brisa suave sopra ao final da tarde, elas parecem contar as memórias dos vizinhos conversando nas janelas, dos bondes rangendo, do Rio que crescia ao seu redor. À noite, iluminadas pelos postes amarelos, as ruas exibem um brilho sereno, remetendo à velhos artistas ainda apaixonados pela própria história.


Casarão centenário de 1899 localizado na rua Benjamin Constant.		 Foto: Mateus Castanho
Casarão centenário de 1899 localizado na rua Benjamin Constant. Foto: Mateus Castanho


Clássico de um "glorioso" domingo


Divisão da rua da Glória com a Benjamin Constant 							Foto: Mateus Castanho
Divisão da rua da Glória com a Benjamin Constant Foto: Mateus Castanho

Buscava entender melhor o sucesso da feira e a rotina dos moradores do bairro com a sua popularização quando falei com Gabriel Prado, meu amigo, morador da Glória há pelo menos um ano. Gabriel veio do interior de São Paulo tentar a vida na cidade maravilhosa.


Ele me explica que durante a semana a rotina se mantém e os rostos são conhecidos pela rua. Entre a correria do centro da cidade e a tranquilidade do Catete, o bairro atrai cerca de 60 a 70 mil pessoas no fim de semana, segundo Marconi, o presidente da associação de moradores. 


Na feira, muita gente trabalha duro e retira seu sustento vendendo produtos artesanais, serviços e alimentos. É o caso de Isabel Vieira, que trabalha na barraca de artigos de papelaria. 


A feirante Isabel Vieira em um domingo glorioso. 				Foto: Reprodução.
A feirante Isabel Vieira em um domingo glorioso. Foto: Reprodução.

“Como trabalhar em qualquer feira, é desafiador! Dias de chuva, dias de sol, os horários são muito puxados. Eu saio de casa por volta de 4h30 da manhã, começo a montagem da barraca às 6h30 para que às 8h já esteja tudo organizado. É muito cansativo e difícil, a gente vai embora muito tarde. A desmontagem demora muito, saímos quase 19h.”


Isabel esclarece que mesmo com todos os desafios, o trabalho é muito gratificante. Reconhece que o público é excelente e os visitantes são atenciosos. Por atender gente de toda a cidade, além de pessoas de outros países, a feirante consegue aproveitar a oportunidade de treinar outra língua e melhorar seu vocabulário em inglês. Vê o bairro apenas como um local de trabalho, já que não enxerga benefícios em frequentá-lo quando quer ter momentos de diversão e lazer.


Azulejos agrupados formam o mapa da região. 				Foto: Mateus Castanho
Azulejos agrupados formam o mapa da região. Foto: Mateus Castanho

Para o morador Gabriel, a Glória foi o lugar que o acolheu nesta nova etapa da vida, dando a oportunidade para escrever novos capítulos e criar memórias. Ele cria um roteiro dos lugares que gosta de frequentar e o que fazer num clássico domingo “gloriano”.


Aqui está uma sugestão de roteiro: 

Comece desembarcando no metrô e indo em direção à Feira da Glória. Comer um pastel de feira enquanto bebe um copo de caldo de cana com gelo com certeza é uma boa forma de iniciar o dia. 


Vá ao Outeiro da Glória subindo pelo Plano Inclinado, que é gratuito e funciona de terça a sábado, das 7h às 19h, e aos domingos, das 7h às 13h. Saindo do Outeiro, atravessando em direção à Prainha da Glória, vá curtir um pé na areia com banho de mar enquanto tem a vista deslumbrante do Pão de Açúcar. Ou tenha a sorte de ver tartarugas brincando nas ondas da Baía.


“Shopping chão”, expressão popular para expositores que ficam no chão. 			Foto: Mateus Castanho
“Shopping chão”, expressão popular para expositores que ficam no chão. Foto: Mateus Castanho

Quando a fome começar a bater, almoçar no Braseirinho da Glória é uma escolha clássica. O restaurante tradicional é especialista em carnes na brasa e serve comida no balcão. Depois do almoço, explore as antiguidades da feira e veja coisas que você não via há muito tempo.

Vá em direção à Praça Paris, para conhecer as barracas com comidas de diversas partes do mundo, ou quem sabe, uma sobremesa. Você poderá estender a canga no gramado e descansar para curtir o samba que começa no fim da tarde. O samba é animado e sempre traz uma seleção de boas músicas. 


Finalizar o dia caindo no samba, é um clássico carioca. Agora, se você ainda tem fôlego para mais, o premiado bar Fatchia (@fatchia_pizza) serve pizzas e drinks, além de acertar na escolha dos DJs que tocam vinil e embalam a pista.



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