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O trânsito na Tijuca em dias de jogos no Maracanã

  • Foto do escritor: Alunos UVA
    Alunos UVA
  • 2 de dez. de 2025
  • 7 min de leitura

O trânsito na Tijuca, especialmente nos dias de jogo no Maracanã, transforma a rotina de torcedores, moradores e lojistas. Entre engarrafamentos, ruas fechadas e muita movimentação, o bairro revela o impacto direto da mobilidade urbana no dia a dia carioca. Uma história que mistura paixão pelo futebol e os desafios de viver ao redor do maior estádio do mundo.


Por João Gabriel da Silva Gonzaga e Lucas Silva de Miranda


Trânsito na AV. Maracanã em noite de jogo./Foto: Lucas Miranda
Trânsito na AV. Maracanã em noite de jogo./Foto: Lucas Miranda

O trânsito carioca


A Tijuca é um dos bairros mais tradicionais do Rio de Janeiro, conhecido muito pelos seus comércios, restaurantes e clubes. Sendo um importante centro da Zona Norte carioca. Um dos grandes pontos do povo carioca é o estádio Mario Filho mais popularmente conhecido como Maracanã, o estádio mais tradicional do mundo. Porém, torcedores, moradores e lojistas sofrem bastante com o trânsito em dias de grandes eventos no estádio Mário Filho.


O trânsito do Rio de Janeiro é um dos grandes desafios do dia a dia do carioca. Engarrafamentos constantes, especialmente nas principais vias como Linha Amarela, Linha Vermelha e Avenida Brasil, acabam impactando diretamente a rotina de quem vive na cidade. Muitos trabalhadores precisam sair de casa com horas de antecedência para evitar atrasos, o que gera cansaço e reduz o tempo de descanso e lazer. Além disso, o transporte público sobrecarregado, somado ao grande número de carros nas ruas, agrava ainda mais a situação.


De acordo com o estudo feito por uma empresa holandesa, o carioca perde em média cem horas por ano parado em engarrafamentos. Nesse cenário, a situação só é pior em Istambul (Turquia) e Cidade do México, respectivamente, primeira e segunda colocadas na listagem. Diferente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Rio), que mede os congestionamentos por quilômetros, a pesquisa da TomTom analisa a saturação das vias no decorrer do dia e nos horários de pico no início da manhã e no fim da tarde. Curiosamente, nos horários de rush o Rio cai para a oitava posição no ranking.


Pesquisa elaborada por empresa holandesa em 2015
Pesquisa elaborada por empresa holandesa em 2015

A história tijucana


A urbanização da Tijuca teve início em 1759, quando os jesuítas até então proprietários de grandes fazendas de cana-de-açúcar na região foram expulsos e suas terras passaram a ser divididas em lotes e vendidas. Esse processo marcou o começo da ocupação organizada do território.


No século XIX, o cultivo do café ganhou destaque e impulsionou ainda mais o desenvolvimento local. A região começou a ser desmembrada em propriedades menores, atraindo famílias abastadas que buscavam um refúgio mais tranquilo e ameno, graças à proximidade com as áreas de mata e ao clima mais fresco aos pés da Serra do Maciço da Tijuca. Assim, a Tijuca passou gradualmente de área rural a um espaço de valorização imobiliária e de residência da elite carioca.


A urbanização se consolidou de forma mais intensa no século XX, com a construção de prédios residenciais, a abertura de novas vias e a expansão do comércio. A modernização da infraestrutura e o crescimento populacional transformaram o bairro em um dos mais tradicionais e densamente ocupados do Rio de Janeiro, consolidando a Tijuca como um importante reduto da classe média carioca e um polo de vida urbana diversificada.


Praça Saens Peña 1911
Praça Saens Peña 1911

O templo do futebol


A criação do Maracanã envolveu um uso intenso de mão de obra e tração animal devido ao alto custo de guindastes. Cerca de 25.000 toneladas de cimento foram utilizadas para a construção do maior estádio do mundo. O principal desfecho para a formação do estádio na época foi a Copa do Mundo de 1950, em que o Brasil sediou pela primeira vez o torneio. 


Na final da copa, a seleção brasileira, até então sem nenhum título de copa do mundo, foi vice para o Uruguai. Estima-se que cerca de 200.000 pessoas compareceram à final, embora o número oficial registrado tenha sido de 173.850 espectadores. Esse evento estabeleceu um recorde mundial de público para uma partida de futebol, consolidando o Mário filho como um local histórico e culturalmente significativo. Aquela decisão é conhecida no mundo todo como “Maracanazo”.


Construção do Maracana
Construção do Maracana

Deslocamento difícil: a batalha dos torcedores para chegar e sair do Maracanã


Esse ano, a Casa do Inesquecível completou 75 anos. Nos dias de hoje, Fluminense e Flamengo mandam seus jogos no estádio e seus torcedores costumam ter problemas envolvendo o tráfego na região. E, para evitar o congestionamento na região, alguns torcedores têm alguns truques para não se atrasar e evitar transtornos. 


“O trânsito depende muito conforme o horário do jogo. Quando é às 19:00h, tenho muita dificuldade de chegar, agora quando é às 20:30 ou 21:30, o trânsito é um pouco mais tranquilo”, diz Flávio, torcedor do Fluminense que vai a todos os jogos de carro de aplicativo e já teve inúmeras dificuldades com o deslocamento até o Maracanã. 


“Sem dúvida, a hora de ir embora é onde tenho mais dificuldade. Como vou de carro de aplicativo, o preço perto do estádio normalmente está nas alturas, então vou caminhando 10 a 15 minutos para longe do estádio, que assim o preço abaixa”, afirma Flávio.


Trânsito na R. São Francisco Xavier em noite de jogo./Foto: Lucas Miranda
Trânsito na R. São Francisco Xavier em noite de jogo./Foto: Lucas Miranda

Praça Varnhagem em dia de jogo: entre o pré-jogo e os problemas para o comércio


Outro setor bastante afetado são os lojistas, a Tijuca é conhecida por ter bastante comércio e um desses polos de lojas é a Praça Varnhagem. É comum os torcedores se reunirem na praça para fazer o famoso pré e pós-jogo. Bares populares como Buxixo, Garota da Tijuca e Bar da Varnhagem são os pontos de encontro dos torcedores para tomar aquela cerveja antes e depois do jogo. 


Com o grande número de torcedores nos entornos da praça, a lojas têm alguns desafios, afirma Marcelo Gomes funcionário de uma loja na praça Varnhagem. “As ruas fechadas, o movimento das pessoas, o trânsito, muitas vezes atrapalham a minha volta para casa e para o abastecimento de material na loja.”


De forma unânime, as partidas que começam às 19:00h são onde as pessoas encontram mais dificuldade em se organizar para não pegar o tráfego intenso na região tijucana. 


“Quando há qualquer jogo no horário das 19:00, somos geralmente liberados 30 minutos mais cedo para não termos problemas com o trânsito”, explica Marcelo.


Vídeo postado no 'X' horas de um jogo na praça Varnhagem

Entre o caos e a rotina: a dificuldade dos moradores no entorno do Maracanã


Os moradores da região do entorno do estádio sofrem muito também, pois muitas das vezes não vão aos jogos e só querem chegar em casa após um longo dia de trabalho. No entanto, acabam enfrentando dificuldades como engarrafamentos, bloqueios nas ruas e falta de vagas para estacionar. Além disso, o barulho, o movimento intenso de torcedores.


“Muito ruim, muito engarrafamento, tenho dificuldade de chegar e sair da minha casa em dias de jogos no Maracanã”, afirma Luisa, moradora da São Francisco Xavier, rua próxima ao estádio.


Os torcedores e ambulantes não ficam de fora quando o assunto é obstruir as ruas e causar tumulto. Em dias de jogo, é comum ver grandes aglomerações nas calçadas e nas vias próximas ao estádio, dificultando a passagem de pedestres e veículos. Muitos torcedores se reúnem para beber, cantar e fazer festa antes das partidas, enquanto os ambulantes montam suas barracas para aproveitar o movimento e vender produtos.


"Os torcedores e ambulantes acredito que sejam os principais, pois eles ficam no meio da rua ou quando ficam na calçada lotam a calçada", diz Luisa.


Torcedores ocupando a via e a calçada no cruzamento da R. Isidro de Figueiredo com a R. São Francisco Xavier
Torcedores ocupando a via e a calçada no cruzamento da R. Isidro de Figueiredo com a R. São Francisco Xavier

Bastidores da organização e o trabalho das forças de ordem no entorno do Maracanã


A organização das ruas é o ponto principal pelo qual as autoridades são divididas em vários grupos. A Guarda Municipal do Rio de Janeiro (GM-Rio) é dividida entre controle urbano, grupo responsável pelo controle dos torcedores normalmente identificados com o boné marrom, e controle de vias públicas, identificados pelo boné branco. Eles contam com apoio da empresa de segurança e eventos Grupo Sunset, que tem forte atuação no estádio, ou em eventos, Companhia de Engenharia de Tráfego (CET- Rio), responsável pelo fechamento das ruas, e a Polícia Militar do estado do Rio de Janeiro (PM-RJ) para auxiliar no entorno do estádio.


“Com as ruas próximas ao estádio fechadas 2:00 horas antes do jogo, aumenta o fluxo de carros, a maior dificuldade é sem dúvidas conferir fluidez ao trânsito”, afirma Leandro, guarda municipal que estava atuando na fluidez do trânsito no encontro da rua Arthur Menezes com a São Francisco Xavier.


O trabalho começa 4 horas antes do início da partida e termina só 2 horas após o apito final. Além da preocupação com o trânsito para entrada dos torcedores, existe uma grande preocupação com a saída dos torcedores do estádio.


"O fluxo de torcedores atrapalha um pouco o trânsito na entrada, porém o trânsito já é ruim por si só. Agora, na saída, é pior, pois todos saem juntos e algumas vezes alterados com o resultado do jogo", diz Leandro


A recomendação dos guardas municipais para quem vai aos jogos no Maracanã é que os torcedores cheguem com antecedência, evitando os horários de pico e possíveis congestionamentos nas principais vias de acesso ao estádio. Eles orientam também que o público utilize, sempre que possível, o transporte público como metrô, trem e ônibus para diminuir o fluxo de veículos nas ruas próximas. Além disso, após o término das partidas, a sugestão é aguardar alguns minutos antes de deixar o local, permitindo que o trânsito se normalize e garantindo mais segurança tanto para pedestres quanto para motoristas.


“Os carros de aplicativo, por mais que as pessoas acham que fazem diferença para nós, não fazem a diferença alguma, pois o número de carros continua o mesmo, o foco principal é diminuir a quantidade de veículos nas vias. A melhor opção para os que podem é o transporte público, trem, ônibus e metrô”, declara Leandro.


Guardas municipais trabalhando 2 horas antes do jogo no cruzamento da R. Artur Menezes com a R. São Francisco Xavier./Foto: Lucas Miranda
Guardas municipais trabalhando 2 horas antes do jogo no cruzamento da R. Artur Menezes com a R. São Francisco Xavier./Foto: Lucas Miranda

Conclusão


O trânsito carioca é um tema recorrente nos debates entre candidatos à prefeitura, pois impacta diretamente a rotina e a qualidade de vida da população. A mobilidade urbana no Rio de Janeiro representa um desafio permanente, que exige planejamento eficiente, investimentos consistentes e a integração de diferentes modais de transporte público.


As discussões sobre o assunto vão muito além dos engarrafamentos: envolvem também questões de segurança viária, acessibilidade, qualidade do transporte coletivo e estratégias para reduzir a dependência do automóvel. Melhorar a circulação na cidade significa não apenas diminuir o tempo de deslocamento, mas também promover uma cidade mais inclusiva e acolhedora para todos os seus habitantes.

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