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O crescimento dos esportes americanos na mídia brasileira

  • Foto do escritor: Alunos UVA
    Alunos UVA
  • 29 de nov. de 2025
  • 8 min de leitura
Ligas de esportes americanos tem crescimento exponencial no Brasil e atraem investimento da NBA e NFL ao pais com jogos de pré-temporada e temporada regular disputados em solo brasileiro.

Por Felipe França e Arthur Bousquet


Desde os anos 90 com Michael Jordan para a NBA, e o início da década de 2010 com Tom Brady para a NFL, a influência dos esportes americanos, principalmente a liga de basquete e de futebol americano, vem expandindo seu público por todo o mundo, o que não é diferente no caso do Brasil. De acordo com a pesquisa Sponsorlink, do IBOPE Repucom de 2015, o Brasil tinha 9 milhões de internautas que se declararam muito interessados no basquete, e 39% deles disseram que sempre que podem acompanham os jogos da NBA. 


Arena do Miami Heat em jogo da NBA. (Pixabay)
Arena do Miami Heat em jogo da NBA. (Pixabay)

E mesmo com esses dados sendo de apenas 10 anos atrás, devido ao crescimento exponencial da exposição a essas verdadeiras marcas esportivas, a expectativa é de que este número seja muito mais expressivo nos dias de hoje. Um indicativo dessa onda é o fato de a transmissão da final da NBA de 2019, ter sido comentada por mais de 32 mil pessoas em mais de 11,8 milhões de impressões no Twitter, segundo o Kantar Social TV Ratings.


Neste ano de 2025, Davi Moreira foi um dos 5 bilhões de torcedores que acompanharam a grande final da NBA entre Oklahoma City Thunder e Indiana Pacers, segundo dados disponibilizados pela própria liga americana. Davi, de 20 anos e morador da zona norte da cidade do Rio de Janeiro, e estudante de jornalismo, teve sua primeira relação com a NBA durante a pandemia.


Davi Moreira, torcedor do Orlando Magic. Reprodução: Felipe França
Davi Moreira, torcedor do Orlando Magic. Reprodução: Felipe França
“Eu já sabia logicamente da existência de alguns jogadores e de alguns times famosos, mas eu comecei a acompanhar mesmo, assistir a jogos e acompanhar estatísticas de jogadores, na temporada 2020-2021” nos conta Davi.

Que também revelou a sua porta de entrada para NBA ter sido os jogos de videogame, principalmente a série NBA 2K que lança um jogo por ano, com licenciamento completo da própria liga. E além de Davi essa é uma das principais portas de entrada para muitos jovens aqui no Brasil, de acordo com a Take Two, empresa desenvolvedora dos games, a versão de 2024 do NBA 2K vendeu mais de 9 milhões de cópias. 


Davi se declarou torcedor do Orlando Magic, franquia da NBA localizada em uma cidade com muitos imigrantes do Brasil, inclusive o time promove uma vez por ano, no mês de janeiro, a “Brazil Night”, aproveitando o influxo gigante de brasileiros que viajam a Flórida durante as férias, esse dia especial conta com atividades focadas nos fãs brasileiros. No ano passado, a noite teve apresentação de Claudia Leitte e nesse ano de 2025 a apresentação principal do intervalo do jogo foi de Thiaguinho.


O crescimento desta liga pode ser atribuído a muitos fatores, e em conversa com Lucas Marques, produtor editorial da ESPN, buscamos entender um pouco mais a fundo essas variáveis através de uma emissora que está no epicentro da importação dessas ligas aqui para o Brasil. 


Lucas Marques, produtor editorial da ESPN. (Arquivo Pessoal)
Lucas Marques, produtor editorial da ESPN. (Arquivo Pessoal)

Para se criar essa paixão pelo esporte, primeiramente, o caminho mais fácil é a identificação, e dessa forma, no caso da NBA, os atletas brasileiros que chegaram a competir em solo americano foram influência direta para muitos espectadores começarem a acompanhar a liga.


"Atletas como Nenê Hilário, que foi provavelmente o principal prospecto brasileiro do basquete masculino na história da NBA. Leandrinho, que ganhou sexto homem da liga e foi campeão jogando pelo Golden State Warriors, que é o time que mudou o jogo. Tiago Splitter que foi o primeiro brasileiro campeão da NBA e agora está voltando na posição de técnico principal do Portland Trail Blazers. Anderson Varejão que jogou com o Lebron James durante muito tempo. Sem sombra de dúvidas isso é um fator.", diz Lucas Marques.
Número de Brasileiros na NBA entre 2015 e 2024
Número de Brasileiros na NBA entre 2015 e 2024

Apesar de nomes tão memoráveis como os listados anteriormente, hoje em dia o Brasil passa por uma crise de representação na NBA com apenas 1(um) jogador com contrato ativo num plantel principal, se tratando de Gui Santos, do Golden State Warriors de Stephen Curry. Mesmo assim, a expectativa de especialistas continua sendo de crescimento da liga por aqui.


Já no Caso da bola oval, o crescimento da popularidade é explosivo, ao comparar dados da pesquisa Sponsorlink, do IBOPE Repucom, com o Yard by Yard, também do IBOPE Repucom, nota-se uma evolução de 10 milhões de pessoas interessadas na NFL para 41 milhões de pessoas interessadas na liga americana. tendo a ESPN concentrado 1,5 milhão de pessoas acompanhando a temporada 2024 da NFL pelo canal ao longo do ano.


Esses números mostram que muitos novos fãs estão sendo formados na aqui no Brasil, que historicamente não é um país praticante de futebol americano, a CBFA, confederação brasileira de futebol americano, conta com apenas 128 times espalhados ao redor de todo o brasil, apesar de o número ser superior aos 70 de 2019, ainda assim um número bem inferior aos milhares de . 


Miguel Lima, Fã de futebol americano. Reprodução: Felipe França
Miguel Lima, Fã de futebol americano. Reprodução: Felipe França

Miguel Lima, de 20 anos, nos conta que começou a acompanhar a NFL mais seriamente esse ano de 2025, porém já simpatizava com o New England Patriots desde que viu por acaso o SuperBowl 51 em 2017. 


“Eu costumava ver algumas estatisticas aqui e ali, desde essa final mas eu so sabia do Patriots, esse ano eu comecei a ver pra valer e acompanhar o que acontece na liga em geral, mais o Patriots ainda é o time que eu mais assisto.”

Mesmo assim, quando perguntado Miguel avisa que nunca praticou, nem tem interesse em praticar o esporte.



Os esforços das ligas americanas na expansão global


Em anos recentes a NBA viu no Brasil um potencial não explorado, muito exemplificado pelo engajamento brasileiro em redes sociais como o twitter, e não mede esforços para expandir sua influência no território nacional. A principal ferramenta da NBA neste esforço é o agendamento dos ‘Global Games’, jogos de pré-temporada ou de temporada regular, que são jogados fora dos Estados Unidos. O Brasil já recebeu 3(três) desses jogos durante as pré-temporadas de 2013, 2014 e 2015, sendo este último ano um marco na memória de muitos cariocas ao colocar frente a frente Orlando Magic e Flamengo, num embate entre NBA e NBB. 


Além dos ‘Global Games’, a NBA também investe em diversos eventos por aqui, como o ‘NBA House’ que acontece durante as finais da liga e conta com diversas atrações interativas para imergir os fãs no universo das franquias da NBA. O próximo passo é um jogo de temporada regular acontecer por aqui no Brasil, essa pauta vem circulando conversas com dirigentes da liga, porém nada de concreto ainda foi anunciado.


Nesse ponto a NFL furou a fila da NBA, a liga de futebol americano já sediou dois jogos em São Paulo, na Neo Química Arena, estádio do Corinthians. As partidas sediaram times muito competitivos, o que demonstra o interesse dessas ligas no público daqui. Philadelphia Eagles, atual campeão do Super Bowl, e Kansas City Chiefs do Patrick Mahomes, que pra muitos é o melhor jogador em atividade, foram alguns dos times que fizeram essas partidas que foram verdadeiros sucessos de bilheteria e audiência. O Jogo deste ano registrou 17,3 milhões de espectadores globais no Youtube, e contou com transmissões de ESPN, GeTV e CazéTV para o público brasileiro. E no ano que vem teremos mais um jogo no Brasil, desta vez no Rio de Janeiro, no estádio Maracanã, o templo máximo do esporte nacional. 


Treinamento de futebol americano. (Pixabay)
Treinamento de futebol americano. (Pixabay)
“O futebol americano é um esporte praticado majoritariamente lá nos Estados Unidos, não é uma modalidade muito difundida a nível global, então a ESPN tem um papel importantíssimo na popularização da NFL aqui, e se por exemplo, a gente vê canais como a GeTV e a CazéTV hoje transmitindo jogos da NFL, isso passa muito pelo processo promovido pela ESPN.” comenta Lucas Marques, produtor editorial da ESPN.

Para os fãs do esporte as plataformas de streaming tem o potencial de revolucionar o mercado de transmissões esportivas ao facilitar a forma de se acompanhar as ligas americanas como afirma Miguel sobre como assistia a NFL.


“Eu acompanho principalmente pela GEtv quando eles passam algum jogo, mas antes da GEtv eu tinha que esperar passar algum no Sportv ou na ESPN, então acho que a entrada do streaming nesse meio foi muito importante, agora ficou bem mais facil assistir qualquer jogo”

Manifestações culturais ligadas aos esportes americanos


Pichação de Allen Iverson. (Pixabay)
Pichação de Allen Iverson. (Pixabay)

Outra avenida de influência das ligas americanas é sua presença em diversas manifestações culturais exportadas pelos Estados Unidos para todo o mundo. No Rap, por exemplo, os rappers do fim dos anos 90 e início dos anos 2000 adotaram os bonés de baseball, que eram facilmente identificáveis, e se tornaram uma forma de mostrar o orgulho na cidade/comunidade da qual aquele artista originava. E esta estética entrou no imaginário dos seguidores desse movimento, a ponto de a forma de bonés de baseball ser utilizada até mesmo aqui no Brasil por marcas ligadas a uma moda mais urbana e com influências do rap.


As “jerseys” tanto de times da NBA, quanto de times da NFL, também fazem parte de vários outros fenômenos. Na moda de roupas mais largas e mais urbanas, também conhecido como moda “oversized” é natural ver camisas de futebol americano, além de camisas inspiradas no esporte com o uso de dois grandes números na parte frontal da camisa.


E o maior fenômeno da moda relacionado aos esportes americanos são as marcas de tênis (sneakers) como: Nike, Jordan, Adidas, Under Armour e Puma, para citar as maiores. Os tênis de basquete se tornaram tão icônicos através da Nike e da Jordan que modelos como o Nike Air Force 1, o Nike Dunk e o Air Jordan 1, todos da década de 80, se tornaram febre por todo o mundo e foram relançados de diferentes formas ao longo dos anos até os dias de hoje. Em um documento providenciado pela Nike em uma disputa judicial contra criadores de tênis customizados, a própria empresa constatou já ter produzido mais de 1700 interpretações da forma Air Force 1 e que os tênis desse modelo ainda rendem 800 milhões de dólares por ano até os dias de hoje.


Lucas Marques (ESPN) também expressa como a moda e o estilo ligado as ligas de esportes americanos são facilmente notados no por aqui:


“Essa questão do Lifestyle e da cultura que envolve muito o rap e o hip hop também, faz com que pessoas que nem acompanha a NBA, NFL ou MLB mas elas gostam das roupas. Às vezes a pessoa usa uma roupa do Lakers e nem sabe que time é esse, ou usa um boné do Yankees e também não conhece.”

Terreno fértil para crescimento nas mídias sociais


O engajamento dos brasileiros nas redes sociais certamente é um dos pontos fortes que o nosso mercado tem a oferecer a marcas e serviços em geral, de acordo com a statista, plataforma que reúne diversas estatísticas em geral, lista o Brasil como o 8º país com mais usuários ativos no X/twitter até outubro de 2025. 


E no X/twitter muitas contas focadas em NBA ou NFL movimentam milhares de tweets e levam os principais assuntos destas ligas para o palco central do que está sendo falado no país, o que alavanca esses assuntos a números gigantes visto que o Brasil é um dos países mais populosos do mundo e com mais presença online. Com isso as franquias americanas estão começando a tratar com mais carinho o espaço online voltado para o público brasileiro.





“O público brasileiro é composto por uma legião imensa de fãs de alguma coisa, e as franquias americanas demoraram um pouco para perceber isso, na NFL por exemplo você tem um cuidado um pouco maior com o público brasileiro do Miami Dolphins, com conteúdos voltados para brasileiros, depois veio o New England Patriots, e agora o Detroit Lions tá começando a expandir as redes sociais para cá também” comentou Lucas Marques.

Além da atenção destas franquias com o Brasil, os perfis de fãs brasileiros como: @NBAdabad (+370mil) e @NBAdoPovo (+440mil) também são icônicos e já foram mencionados diversas vezes por canais oficiais da própria liga americana ou por times específicos.


O Brasil é um dos principais alvos atualmente da expansão da influência dos esportes americanos para fora do seu território a fim de criar verdadeiras marcas globais como as vistas no mercado europeu de futebol. Por fim os campos e quadras brasileiros ganham cada vez mais cores diferentes e as transmissões esportivas ganham um sotaque a mais e pelo que os dados apurados mostram, essa onda só tende a crescer nos próximos anos.


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