Impactos do bullying na rotina estudantil
- Alunos UVA

- 2 de dez. de 2025
- 6 min de leitura
Por Maria Eduarda Nogueira e Vinicius Caldas

É de conhecimento de todos que a internet proporciona e oferece inúmeras ferramentas para qualquer área. No entanto, um uso acima do normal pode acarretar problemas sérios futuramente. Nas redes, é comum que usuários desenvolvam a percepção de que a internet “não pertence a ninguém”, fazendo com que pessoas mal-intencionadas cometam violências verbais, cyberbullying, xenofobia, racismo, entre outros.
Com toda a globalização na era digital, algumas situações de bullying nas escolas têm ganhado proporções maiores do que o normal. Ou seja, a internet, por si só, já pode causar problemas como ansiedade e transtornos mentais, e, quando somada ao bullying entre crianças e adolescentes em ambientes educacionais, pode gerar grandes prejuízos na vida dessas vítimas em um futuro próximo.
Já em ambientes acadêmicos, é crucial contar com bons profissionais para que situações assim sejam minimizadas e tratadas da maneira correta para não tornarem a acontecer. É necessário ter a percepção de quando algumas “brincadeiras” passam do tom, e práticas como essas virem rotineiras no dia a dia dos jovens.
O número de casos de bullying nas escolas brasileiras continua a crescer e expõe a dificuldade de professores e gestores em lidar com a violência cotidiana entre estudantes, enquanto pesquisas alertam que a falta de políticas efetivas de prevenção coloca em risco o bem-estar e o desempenho escolar de milhões de crianças e adolescentes.
Como identificar o bullying
Sendo muitas vezes confundido com brincadeiras, o bullying pode não ser identificado
de primeira e por isso ser negligenciado. De acordo com a pesquisa feita pelo Ministério da Educação, em maio de 2025, é possível observar algumas motivações para esses atos de violência, como por exemplo:
aparência do corpo e do rosto
raça/cor
orientação sexual
Esse dado expõe que certos grupos sociais são mais frequentemente vítimas de bullying, fator que pode ter como consequência um medo em crianças e adolescentes ao serem elas mesmas. Estudos feitos pelo SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica) dizem que, em 2023, 27,1% das escolas respondentes aos questionários afirmaram não ter registrado nenhum episódio de bullying, enquanto em 2021 esse número era de 47,9%. Essa mudança pode indicar duas situações: tanto o aumento dessa forma de agressão, quanto a maior facilidade de registrar esses episódios nos colégios. Ser capaz de identificar esses casos é fundamental para diminuir a ocorrência dessas situações. A psicóloga Anna Clara do Nascimento esclarece os principais sinais do bullying:
Como conduzir?
Seja o praticante ou a vítima, é sempre delicado e sensível a condução da questão em si, ainda mais quando trata-se de crianças. A quem pratica: Primeiramente deve-se repreender tal ato ou ofensa, quanto mais cedo aprender que uma simples fala pode ter um efeito negativo em larga escala na vida do próximo, mais sucesso se obterá com o comportamento do mesmo no futuro. Em alguns casos, não só para quem sofre bullying que é adequado a busca por profissionais como psicólogos, o mesmo pode servir para um melhor entendimento do que leva a prática errônea. Alguns estudos apontam para uma necessidade de autoafirmação carregada de uma certa carência do indivíduo. Conversas com profissionais, reeducação e desenvolvimento de algumas práticas socioemocionais são pilares para corrigir esse comportamento. A professora do ensino fundamental Daniele Loyola explica como é feita a condução do caso:

"A princípio, o ideal é entender a situação e certificar-se que está realmente ocorrendo.
Uma conversa inicial com as partes é viável, de acordo com o caso. Assim que entendemos o caso, comunicamos a coordenação/direção e chegamos a um ponto comum para tratarmos a situação."
Além disso, o papel do professor também importa, porque ele age diretamente nessa batalha dentro e fora de aula. "O professor é um agente importantíssimo nessa situação.
Ele é o observador, ele deve perceber sinais sutis, pois ele ouve conversas, entende os grupos, percebe seu aluno, conhece seu aluno. Quaisquer detalhes podem ser percebidos pelo professor, se ele realmente tem conexão com a turma e estabelece essa relação de afeto e observância", diz a profissional sobre o assunto.
Já do outro lado da questão, para conduzir de maneira certa e respeitosa um caso de crianças ou adolescentes que passe por situações como essas, é necessário começar reforçando sua autoestima e identidade, afastá-la do praticante e de tal ambiente que contribua negativamente para as práticas e também acompanhamento psicológico com frequência, afim de prevenir danos futuros no desenvolvimento da vítima.
Impactos psicológicos
Uma das claras consequências do bullying são os impactos psicológicos na vítima, e isso pode ser evidenciado de diferentes maneiras. Segundo a psicóloga Anna Clara do Nascimento:
O bullying, além agravar quadros depressivos e ansiosos, pode impactar na autoestima da vítima, na dificuldade em se abrir para relacionamentos sociais, nos comportamentos de agressividade e autolesão.
Os dados são alarmantes: uma meta-análise de 31 estudos envolvendo mais de 130 mil
jovens revelou que crianças e adolescentes que sofrem bullying têm 2,77 vezes mais risco de apresentar sintomas depressivos do que aqueles que não o vivenciam.
Em junho deste ano, segundo o G1, em Luziânia - GO, uma jovem de 14 anos denunciou o bullying que vinha sofrendo por conta de sua dificuldade para andar, e pela queda do seu cabelo. A jovem está desde 2023 fazendo tratamento como quimioterapia para tratar de um câncer. Ou seja, um caso totalmente delicado e de extrema força por parte da vítima, torna-se alvo de desdenho e violências verbais, retratando a importância de punições para conscientizar e evitar futuros ocorridos.
Segundo o mesmo portal da Globo (G1), nesta terça-feira (02), outro grave caso ocorreu na escola Leonel Azevedo, do município do Rio de Janeiro. A vítima, uma criança de 10 anos, que perdeu a visão do olho direito após agressões sofridas dentro do ambiente escolar. O caso é investigado pela Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav). Também segundo a Lidia Loiola Cardoso, a vítima começou a ser alvo de bullying em 2023, chegando ao ponto de fraturar o pé e deslocar o nariz
Sendo presente na realidade de muitas escolas e universidades, algumas instituições de ensino tomam suas próprias medidas cabíveis afim de reverter esse quadro, além disso, utiliza-se da boa vontade e caráter de outros alunos para repudiar esses atos.
Em entrevista exclusiva com a jovem estudante Lavínia, de 16 anos, ela expôs opiniões e vivências ao ser perguntada acerca dessa questão.
Você acha que o bullying é um problema na sua escola? Por quê? — “Sim, porém, não de maneira agravada. Nas escolas, infelizmente, o bullying pode passar despercebido. Minha escola exalta as consequências que podem acontecer, afetando a saúde mental, o rendimento escolar, entre outros.”
Durante sua vida acadêmica, já presenciou algum caso de bullying, seja com algum colega ou algum desconhecido? — “Sim, muitas vezes com crianças ou adolescentes com deficiência ou limitações, que consequentemente não conseguem se defender.”
Como você acha que a escola lida com casos de bullying? —“Com o objetivo de intervir, fazendo palestras de conscientização, contratação de educadores especializados, atividades para evidenciar suas consequências e como evitar tais situações.”
Além de todas as medidas que seja da alçada do ambiente escolar, como vídeos e palestras de reeducação e tarefas, algumas outras ações afim de intervir podem ser realizadas, como: maior controle dos pais nas interações dos filhos nas redes, de forma saudável e mais como uma precaução. Maior fiscalização dos órgãos responsáveis, no Cyber Bullying (bullying e violência na internet) que muitas vezes passam despercebidos por terem a impressão que a internet é “terra de ninguém”.
O relato mais recente de um caso de bullying divulgado pela mídia foi da zona norte do Rio de Janeiro, mais especificamente na Ilha do Governador. O menino, de 10 anos, foi vítima de agressões que, segundo a sua mãe, foram feitas por outros alunos da escola. Em ocorrência desses ataques, a criança perdeu a visão por definitivo. Segundo a família do garoto, ele sofria ofensas sobre os óculos que usava, decorrente de uma doença em seus olhos, chamada glaucoma congênito.
Diante do cenário demonstrado, é de suma importância o cuidado e precaução com vítimas mais sensíveis e com maior facilidade de abalos psicológicos, por meio de ambientes escolares acolhedores e que preguem o respeito acima de tudo, para que lá na frente não tenhamos uma estatística negativa.





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