Entre o amor e o fanatismo: quando a admiração por artistas ultrapassa o palco e molda quem somos
- Alunos UVA

- 1 de dez. de 2025
- 15 min de leitura
Atualizado: 3 de dez. de 2025
Uma jornada pelas emoções, comportamentos e desigualdades que moldam a relação entre fãs, artistas e sociedade, revelando como essa cultura se torna um espelho de identidade em uma era moldada por telas e sentimentos
Por: Clara Luz, Larissa Moraes, Victória Pina

Corações acelerados, timelines agitadas e vidas que se cruzam por causa de um artista; onde existe um lugar em que a admiração deixa de ser apenas entretenimento e se transforma em identidade. Se trata de uma cultura que exalta alguns e ridiculariza outros, mas ser fã nunca se limitou a simplesmente gostar de música, de um time ou de uma figura pública. É uma experiência coletiva, emocional e intensamente humana, capaz de transformar rotinas, criar vínculos e moldar quem somos. Entretanto, em que ponto o amor acaba e começa o fanatismo?
“Muitos chamam de parassocial, porém, eu discordo e concordo. Ter alguém como ídolo é uma conexão diferente, obviamente, do que alguém do seu convívio social. Porém, o amor que nós sentimos, a “conexão”, muito entre aspas, é real. Às vezes, estamos passando por algo na nossa vida e aquelas músicas ajudam. Nós fugimos de certa forma do problema de uma forma saudável, o que psicologicamente é muito bom.” — Lívia Carvalho, fã e estudante.
I’m your biggest fan, I’ll follow you until you love me — Paparazzi, Lady Gaga: os limites entre admiração e idolatria
A experiência de ser fã costuma começar muito antes das luzes do palco acenderem. Para muitos jovens, acompanhar um artista é entrar em um espaço de memória, comunidade e acolhimento, algo que a estudante Maria Eduarda Rocha conhece bem. Ela contou que a ideia de ver seu artista favorito ao vivo a deixaria “muito feliz, muito animada e também muito emocionada”, justamente porque um show não é só sobre música, mas sobre dividir aquele momento com outras pessoas que sentem o mesmo.
Maria Eduarda lembrou que, nesses encontros, é comum revisitar “muitos momentos, muitas experiências”, inclusive os difíceis, nos quais aquele artista “conseguiu proporcionar um pouquinho de luz em meio ao caos”. E admitiu que, ao longo dos anos, essa relação ultrapassou o entretenimento: algumas decisões — das mais banais às mais importantes — foram influenciadas pela admiração. Para ela, não é exagero dizer que artistas ajudam a moldar personalidade.
“O cérebro quer economizar energia. Se você repete uma ação, ele entende que aquilo é vital.” — Samuel Quinto Feitosa
Para o neurocientista Samuel Quinto Feitosa, reações tão intensas têm explicações possíveis. Ele descreve que, em situações emocionais fortes, o cérebro pode operar no chamado “sequestro emocional”: o sistema límbico reage antes do raciocínio lógico. Segundo ele, isso faz com que o fã, tomado pelo impacto do momento, muitas vezes não pense, apenas aja.
Esse agir impulsivo apareceu recentemente durante um show da cantora Billie Eilish em Miami, quando um homem embriagado a puxou e a derrubou contra a grade. A cena viralizou e gerou indignação, especialmente pela reação de uma fã que confrontou o agressor. O episódio reacendeu o debate sobre até onde vai o afeto e quando ele se transforma em invasão.

Já o historiador Diogo Santos, indica que comportamentos desse tipo não surgiram com a era digital, apenas ganharam escala. Ele explica que figuras públicas sempre movimentaram grupos sociais, e lembra que a linha se rompe quando a admiração vira idealização, algo que já sustentou fenômenos históricos marcados por manipulação e violência. A diferença é que, hoje, as tecnologias amplificam essas dinâmicas em velocidade inédita.
“A atriz Alice Wegmann, por exemplo, já chamou a situação de "epidemia da internet" e tenta conciliar a atuação com uma segunda profissão, a de influenciadora, que o mundo a obrigou a ter.” — Camila Gomes
Esse cenário também é alimentado pelas lógicas do mercado. A jornalista de cultura Camila Gomes observa que as redes sociais moldam a imagem das celebridades a partir do que o algoritmo indica como desejado pelo público. Para ela, agências constroem narrativas calculadas sobre como essa imagem pode ser planejada, vendida e consumida — e a resposta dos fãs se integra diretamente ao processo.
Likes viram aplausos, streams se transformam em devoção e cada repost funciona como presença simbólica. Segundo um levantamento da Deloitte (2024), 40% dos jovens afirmam que seu fandom musical é importante para sua identidade. Não se trata apenas de gostar de um artista, mas de se reconhecer nele, formar uma comunidade, uma estética e até valores compartilhados.
A psicóloga Renata Sartori explica que a tendência de idealizar figuras públicas têm raízes profundas no processo de formação da identidade. Ela comenta que adolescentes costumam se aproximar de grupos — como fãs de K-pop, por exemplo — buscando um traço comum que os represente. Esse movimento, que envolve o ideal do eu e o eu ideal, facilita vínculos intensos com artistas e também o amor platônico.
Renata ressalta que isso pode ser positivo para a socialização e autoestima, mas se torna arriscado quando alguém é colocado em um pedestal inatingível. Nesse ponto, ela afirma, “qualquer comportamento fanático que coloque uma pessoa como certeza absoluta é perigoso”.

Esse ciclo — alimentado por emoções, algoritmos e telas — se confunde facilmente com pertencimento. No vocabulário dos fãs, ser stan de alguém é mais do que apoiar: é assumir uma identidade. É o “nós” contra o mundo, o “meu artista” contra o hate. Mas, como lembra Diogo Santos, o problema não está em admirar, está em se perder dentro daquilo que se admira.
Entre tantos excessos, a fronteira entre admiração e idolatria não é fixa. Ela se move conforme o contexto emocional, a fase da vida e, principalmente, a capacidade de reconhecer a própria autonomia. E é justamente nesse reconhecimento que a relação deixa de ser espelho e volta a ser encontro, reconhecendo que por trás do espetáculo, existem pessoas, é o equilíbrio da humanidade do outro sem apagar a própria.

Because I knew you, I have been changed for good – For Good, Wicked (Musical da Broadway): os impactos físicos e psicológicos de ser fã
Ser fã é buscar companhia em meio a solidão, é pertencer e se sentir acolhido. Ter um ídolo e fazer parte de um fandom pode parecer um ato inofensivo, mas influencia a vida de muitas pessoas de forma expressiva, uma vez que damos significado às coisas a partir do ambiente e/ou grupo em que estamos inseridos. Acompanhar diariamente um artista pode mudar comportamentos, hábitos, vestimentas, crenças e valores. Isso é natural e pode ser saudável se acontecer na medida correta.
De acordo com a psicóloga Renata Sartori, enquanto crianças, moldamos nossas atitudes partindo do meio familiar e escolar primários, durante esse período da vida, na maior parte dos casos, não temos escolha senão obedecer aos mais velhos. Naturalmente, quando uma criança atinge a adolescência é um momento de descoberta e formação de personalidade, e assim surge a necessidade de buscar identificação. “Quando a gente começa a sair de casa pro lado social mais amplo, podemos perceber que adolescentes em geral se reúnem em torno de interesses comuns. Eles estão buscando ali a própria identidade. Ao se reunir em grupos, o adolescente busca aquele traço em comum com os demais para se identificar”, afirma Renata. Assim acontece com os fandoms, pessoas distintas, em diferentes lugares do mundo, com diferentes histórias de vida, que se identificam e se unem pelo gosto em comum por um artista.
A vida de fã traz à tona novas etapas na rotina e diferentes formas de ver o mundo. Se torna um compromisso – voluntário e divertido – abrir as redes sociais para ver fotos novas, ouvir as músicas do ídolo, maratonar as séries em que ele aparece e até assistir horas de transmissões ao vivo. Esses hábitos podem trazer mudanças e benefícios, como a facilidade em aprender um novo idioma, uma mudança de estilo, novas amizades e a vivência de experiências diferentes. Segundo levantamento que fizemos durante o processo de apuração, cerca de 74% dos fãs alegam que fazer parte de um fandom os proporcionou viver momentos novos e 56,1% não enxergam suas vidas sem essa paixão.

Além disso, o discurso de um artista é extremamente relevante quando falamos do dia-a-dia do seu fandom, um artista que fala sobre positividade, amor próprio, incentivo aos estudos e cuidados com a saúde, por exemplo, faz com que seu público reproduza esses atos diariamente como tentativa de se encaixar.
Mas essa relação é frágil e pode se tornar delicada caso o fã não saiba administrar seus sentimentos. Segundo Renata, não se deve colocar um artista em um pedestal, afinal são seres humanos passíveis de erros como todos. “Quando eu começo a colocar pessoas em pedestais, inatingíveis, inalcançáveis, isso é problemático. Cria-se um caminho muito negativo. Qualquer comportamento fanático que coloca o outro como se fosse a certeza absoluta, é perigoso”, afirmou a psicóloga.
Por isso, é preciso que haja um equilíbrio na relação de admiração entre fãs e ídolos, porém manter esse equilíbrio pode ser uma tarefa mais difícil do que parece. O neurocientista Samuel Quinto – Secretário de Cultura de Atibaia, fundador e diretor do Instituto Brasileiro de Neurociências e autor do artigo “Neurociência, Música e Fanatismo: Como o Cérebro Responde a Paixão Extrema” –, afirma que, quando alguém está em um processo de fanatismo exacerbado, o sistema límbico – que é o centro de emoções do cérebro – fica no controle, reprimindo os pensamentos racionais. Ele também explicou que determinados hábitos – como acompanhar diariamente um artista, ouvir músicas de forma rotineira e assistir episódios de séries sem parar – dificilmente são quebrados, uma vez que o cérebro passa a entender que aquilo é indispensável à pessoa. “Qualquer ação que eu praticar o tempo inteiro, o meu cérebro aprende. Conforme você repete alguma coisa, seu cérebro vai criar uma rede neural. Ele consolida aquela informação e conclui que se fizer de novo é porque é vital para sua vida”, informou Samuel.
I’m so sick of running as fast as I can, wondering if I’d get there quicker if I was a man – The man, Taylor Swift: comparação entre gostos de homens e mulheres
A forma como homens e mulheres expressam seus gostos e admirações, ainda carrega marcas profundas da cultura machista. Mesmo no mundo pop, onde fandoms são espaços vibrantes diversos, a reação social revela desigualdades históricas.
A jornalista cultural Camila Gomes, explica que existe sim, um forte viés de gênero na forma como essas paixões são percebidas, a forma como hobbies considerados masculinos - jogar bola, videogame, ler quadrinhos - são incentivados desde cedo, enquanto as meninas são pressionadas a amadurecer mais rápido. “Chorar e gritar enquanto torce para o time de futebol do coração é visto como paixão, tradição passada de geração em geração e motivo de orgulho. Já o público feminino, quando lota estádios para ver seus cantores favoritos e se emociona vendo seus artistas pessoalmente, é muitas vezes rotulado como imaturo e histérico.”
Essa diferença não é acidental, ela reforça padrões culturais que legitimam o entusiasmo masculino e desqualificam o feminino.
A vida como fangirl muitas vezes não é fácil, especialmente quando o assunto é lidar com julgamentos. Para muitas delas, trata-se apenas de desfrutar de algo simples, ouvir suas músicas favoritas, acompanhar seus ídolos, comprar álbuns, colecionar photocards e celebrar essa rotina que traz alegria e pertencimento. Ainda assim, essa maneira genuína de viver um fandom é frequentemente criticada, infantilizada e tratada com desdém por quem não compreende a potência e o significado dessa experiência. A estudante e fã, Ana Clara Couras contou que já se sentiu julgada por ser fã: “Acredito que por ser uma mulher e se considerar fã de algo ou alguém, já acarreta por si só diversos julgamentos da sociedade.”

“Essa diferença não é acidental, mas sim resultado direto de uma cultura machista ainda estruturada na sociedade. Há sim, uma diferença na forma como mulheres e homens constroem vínculos com seus ídolos, não pela capacidade emocional, mas pelo modo como a cultura permite que cada um expresse seus afetos.” — Renata Sartori, psicóloga.
Para Gabriel Pfaltzgraff, estudante e torcedor do Vasco da Gama, ser torcedor de um time não é parecido com ser fã de um artista. Ele diz que um time é uma instituição que existe há mais de um século, onde tem todo um objetivo e uma história por trás, enquanto "O fã é um momento mais passageiro". Você não sabe se estará gostando em menos de um mês. A partir do mês que vem a pessoa começa a tomar uma atitude errada e aí você se arrepende. O clube você nunca vai parar de gostar. Então eu acho que o clube é mais eterno do que uma pessoa específica."
A psicóloga Renata Sartori explica ainda que para além do julgamento, há também uma leitura sexualizada que recai sobre o público feminino. “A mulher é muito objetificada. Quando ela é fã de um jogador ou cantor, rapidamente colocam uma maldade, como se o interesse só pudesse ser carnal.”
“Normalmente quando se gosta de algo popular, principalmente quando se é voltado para o público feminino, as pessoas invalidam muito isso e tratam tal assunto com inferioridade.” — Rayssa Detrano, fã e estudante.

Portanto, a diferença não está no que determinado gênero sente, mas no que tem permissão para sentir. Enquanto o contágio masculino costuma ser celebrado, o feminino segue sendo vigiado, atordoado ou diminuído. E é nesse contraste que se revela não apenas o que é ser fã, mas o próprio reflexo das desigualdades de gênero que moldam o cotidiano.
It's a love that lasts forever, it’s a love that has no past – Don’t Let Me Down, The Beatles: diferença entre gerações
Durante o passar dos anos, tendências, artistas, grupos e movimentos culturais surgem e desaparecem a todo momento. A ideia de pessoas se reunirem em comunidades como forma de apoio a personalidades não é exclusiva das gerações mais novas, na verdade, pesquisas apontam o primeiro registro do termo fandom – que faz a junção do sufixo fan (fã) com o prefixo dom (kingdom - reino) – em uma manchete do jornal The Cincinnati Enquirer em 1903 para se referir a fãs de esportes.
Ao pensarmos em admiração por figuras públicas podemos voltar à Antiguidade, na Grécia e Roma Antigas, por exemplo, já se veneravam heróis mitológicos e filósofos, na Idade Média líderes religiosos e figuras bíblicas e, a partir do século XIX, com o aumento exponencial do teatro, atores e atletas se popularizaram. Entretanto, o grande crescimento da cultura dos fandoms foi no século XX com a popularização do cinema, rádio e a imprensa de massas, nesta época havia uma grande mobilização por símbolos como os Beatles e filmes de ficção científica como Star Trek.

Com o avanço tecnológico do século XXI, as relações entre fãs e ídolos se tornaram cada vez mais próximas, potencializadas pelo surgimento das redes sociais – ferramentas como transmissões ao vivo, comentários e vídeos mostrando as rotinas dos artistas –, que acabam fomentando um sentimento de proximidade, quase como se fossem amigos compartilhando suas rotinas com os fãs. Além disso, surgiram diferentes formas de manifestações artísticas dentro das próprias comunidades de fãs, as fanfics – histórias fictícias escritas por fãs – por exemplo, que são um grande fenômeno cultural nos mais diversos fandoms.
Ana Martins, técnica de saúde bucal e fã do grupo de pagode Molejo nos anos 90, contou sobre sua experiência de fandom na época, afirmando ter impactado sua vida de forma significativa: “Eu era muito tímida no início, então me ajudou a ser mais comunicativa, foi muito importante para mim”, afirmou. Apesar disso, Ana percebe as diferenças entre os comportamentos de fãs de antigamente e os de hoje em dia, notando que, atualmente, existe uma relação de idolatria muito mais profunda.
Entretanto, essa diferença geracional não é um fator que impeça pessoas com mais de 40 anos de continuarem a ser fãs. Afinal, cultivar hobbies, fazer parte de uma comunidade e ter o sentimento de coletividade e pertencimento é importante e saudável em todas as fases da vida.
On days where I want to disappear forever; Let's make a door, inside your heart – Magic Shop, BTS: os pontos positivos de ser fã
Entre pessoas, sons, gritos, vozes eufóricas, corações acelerados e sensações distintas para cada um que estava naquele lugar, porém diante de tantas diferenças, ver seu ídolo favorito à sua frente é o que liga todos aqueles fãs. E mais do que um simples show, aquele ficaria marcado pelo resto da vida deles. “Eu lembro que eu chorei muito, e nada supera o momento que você tá lá, as luzes se apagam e a gritaria começa, a sensação de que todo mundo ama esse artista e esse ser o motivo que vocês estão lá, foi simplesmente incrível, se eu pudesse eu reveria esse show de novo”, conta Giovana Dall Stella, estudante e fã.
Ela vivenciou toda essa euforia no show de um de seus artistas favoritos, Louis Tomlinson, que aconteceu no ano de 2022 na Jeunesse Arena. “Eu sou fã dele desde a época que ele era da One Direction, e poder ver ele naquele show foi uma oportunidade incrível e principalmente por ser um show de um álbum dele que eu gostava muito, o Walls”.

No ano de 2023, Giulia Frisso, também estudante, viveu sua experiência nostálgica como fã de uma das bandas que acompanhou desde pequena, o Restart. “Eu fui só com a minha irmã, que foi quem meio que me influenciou a gostar da banda, então estar lá com ela fez tudo parecer mil vezes melhor, e também por eles estarem há tanto tempo longe dos palcos foi super emocionante”, conta.
“Por um momento, tudo ao meu redor desapareceu: era só ela, o sorriso dela, a voz dela preenchendo cada canto do lugar e cada espaço dentro de mim. Eu me senti parte de algo maior, como se todas as músicas que me acompanharam por tantos anos tivessem finalmente encontrado seu lugar no mundo, bem ali, naquele instante.” — Fernanda Virgílio, fã e estudante de Direito.

A cultura dos fãs não é mais vista como algo nichado, uma pesquisa recente, realizada pela empresa Monks, revelou que 38% dos brasileiros se identificam como fãs. Esse dado ajuda a ilustrar o quanto essa relação vai além do entretenimento e se torna parte identitária de várias pessoas.
Entre muitos fãs o vínculo com um ídolo vai além de apenas uma música, a relação é construída através de uma conexão especial e única, onde pequenos acontecimentos marcam o início de uma grande história. “Começou quando eu tinha cinco anos, quando meu irmão me apresentou o single do Justin, One time, depois dali não parei mais”. dz Alice Amaral, ao ser questionada sobre sua conexão com o cantor favorito através de suas músicas e pensamentos, para a jovem, cada capítulo da vida do mesmo é como se ela estivesse próxima dele, como se fosse seu próprio familiar.
A conexão de Giovana Ribeiro com seu piloto favorito, Lewis Hamilton, está baseada na forma como usa sua voz em causas importantes e inspira confiança, força e autenticidade. “Admiro muito o Lewis Hamilton, tanto como piloto quanto como pessoa. Comecei a acompanhar ele por causa das vitórias e da forma como ele se destaca nas pistas”, conta. Já Maria Eduarda de Souza, relata que a sua conexão com a cantora SZA começou através de videoclipes assistidos, os quais a deixaram hipnotizada pela beleza e talento da cantora. “Hoje em dia me inspiro nela de diversas formas, principalmente roupa, cabelo e estilo de forma geral”, explicou.
Mesmo começando discretamente, o impacto emocional costuma ser profundo, a força desse vínculo aparece no que o artista desperta dentro de cada fã. E é na emoção que o relacionamento entre fã e ídolo revela seu real significado.
Cada fã sente esse impacto de um jeito. Lívia Carvalho contou que recebeu a notícia da morte do cantor Liam Payne ao lado de vários amigos e que naquela hora vieram várias memórias de uma vez só. Lembrou das danças com os primos ao som de Familiar, das risadas com o grupo de amizade quando davam stream em Naughty List e faziam piada porque ninguém gostava da música. Recordou também dos amigos que estiveram com ela nos momentos mais difíceis e de como sempre terminavam as conversas contentes, e dizendo que “o Liam provavelmente estava pior.”

No fim, ser fã é sobre conexão. Entre playlists, filas, gritos e pequenas memórias guardadas ao longo dos anos, a relação com um ídolo ultrapassa o entretenimento e se transforma em pertencimento. Cada relato, cada dado e cada experiência mostram que essa admiração nunca é apenas sobre o artista — é sobre o que ele desperta em quem o acompanha.
Os limites existem e, às vezes, se confundem. Mas também existe o impacto positivo: amizades que nascem de um gosto em comum, mudanças de comportamento, coragem para enfrentar fases difíceis e a sensação de fazer parte de algo maior do que si mesmo.
Entre identificação, emoção e construção de identidade, o fenômeno fã continua sendo um espaço onde arte e afeto se encontram. E, enquanto houver alguém encontrando sentido em uma música, uma imagem ou uma história, essa relação seguirá viva — intensa, diversa e profundamente humana.




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