top of page

Do streaming às pistas: como a Fórmula 1 reconquistou o público jovem brasileiro

  • Foto do escritor: Alunos UVA
    Alunos UVA
  • 28 de nov. de 2025
  • 5 min de leitura

Entre streaming, redes sociais e criadores digitais, a Fórmula 1 vive no Brasil uma renascença impulsionada pela nova geração — que encontrou no esporte um entretenimento diário, participativo e multiplataforma.


Por Rafael Barros


 Foto (Mark Thompson/Getty Images)
Foto (Mark Thompson/Getty Images)

Nos últimos anos, a Fórmula 1 deixou de ser um esporte distante e técnico para se tornar parte do cotidiano digital de milhões de jovens. Lives, memes, análises rápidas, bastidores abertos e pilotos transformados em figuras pop criaram um fenômeno cultural que o Brasil abraçou com intensidade.


Esse movimento não ocorre apenas na esfera online: segundo a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), o país encerrou 2024 com 12.151 filiados, sinal de um ambiente esportivo em expansão.



Globalmente, o F1 Global Fan Survey 2021 mostra que o público da Fórmula 1 é hoje o mais jovem da história, com média de 32 anos e forte presença de fãs entre 16 e 24 anos.


Pesquisa global indica rejuvenescimento do público da Fórmula 1, com forte presença da faixa entre 16 e 24 anos
Pesquisa global indica rejuvenescimento do público da Fórmula 1, com forte presença da faixa entre 16 e 24 anos


Drive to Survive e o reencontro com os bastidores


A série Drive to Survive, da Netflix, redefiniu o modo como a F1 se comunica com o mundo. Ao transformar rivalidades, decisões estratégicas e tensões internas em narrativa audiovisual, a produção introduziu a categoria a um público que nunca havia assistido a uma corrida completa.


Lívia Martins, do perfil Racing BR, resumiu bem o fenômeno:

“A série levou a F1 para o streaming e colocou os pilotos como estrelas. Isso mudou tudo para o público jovem.”
Pôster de divulgação da série da Netflix Foto (Internet)
Pôster de divulgação da série da Netflix Foto (Internet)

O jornalista André Dissat, fã de longa data, percebe o mesmo impacto:

“As corridas me atraem mais, com certeza, mas o Drive to Survive trouxe um interesse legal pelos bastidores que a gente não tinha acesso antes.”

Dados da Nielsen confirmam que a série foi uma das principais portas de entrada de novos espectadores no mundo.



Dados da Nielsen mostram o salto de interesse pela Fórmula 1 após o lançamento da série documental em 2019.
Dados da Nielsen mostram o salto de interesse pela Fórmula 1 após o lançamento da série documental em 2019.

Nova geração brasileira e a retomada da competitividade

Ao mesmo tempo em que o público se renovava, uma nova geração de pilotos brasileiros ganhava força nas categorias de base, como Felipe Drugovich, Gabriel Bortoleto e Rafael Câmara.



Nova geração brasileira traz renovação às categorias de base e reacende o interesse nacional pelo automobilismo. Foto (Getty Images)


Fernando, criador do EFFE, traduz esse sentimento de esperança:

“Ficamos muito tempo sem um piloto no grid. Ver esses meninos disputando tudo é motivo de orgulho.”

E André Dissat reforça:

“É fundamental! Ficamos muito tempo sem um piloto no grid. Infelizmente o Drugo não subiu (para Fórmula 1), apesar de merecer.”

Criadores digitais: o novo paddock da internet


A transformação recente da F1 não se explica sem a influência dos criadores de conteúdo, que se tornaram mediadores entre o esporte e o público jovem. No Brasil, perfis como Racing BR, EFFE e Victor Ludgero consolidaram comunidades que acompanham a categoria diariamente.

Criadores digitais brasileiros tornaram o automobilismo mais acessível e presente na rotina dos jovens. Foto (Site X / Perfil @_racingbr)
Criadores digitais brasileiros tornaram o automobilismo mais acessível e presente na rotina dos jovens. Foto (Site X / Perfil @_racingbr)

Lívia observa isso de perto:

“A nossa faixa etária está entre 18 e 35 anos. É esse público que chega nas redes, comenta, compartilha e manda dúvidas.”

Fernando sente a mesma energia:

“O público jovem é muito necessário. É a galera mais interessada na categoria.”




Victor Ludgero, streamer pioneiro em comentar corridas ao vivo com humor e informalidade ,explica como transformou F1 em entretenimento contínuo:


“O que eu sempre quis foi mostrar que F1 não precisa ser algo pesado ou técnico demais. A galera entra na live porque quer rir, comentar, brincar com a FIA. Isso aproxima muito o público jovem.”
Lives e transmissões simultâneas aproximam o público da experiência de acompanhar corridas em tempo real. Foto (Site X/ @victorludgero)
Lives e transmissões simultâneas aproximam o público da experiência de acompanhar corridas em tempo real. Foto (Site X/ @victorludgero)

E completa:

“Depois de Drive to Survive, houve uma avalanche. Na Twitch, a galera quer acompanhar corrida junto e reagir em tempo real.”

Segundo o relatório global, redes sociais como Twitter (40%), Instagram (37%) e YouTube (36%) já são os principais canais de acompanhamento do esporte.


“Redes sociais já são as principais fontes de informação sobre Fórmula 1 entre os fãs mais jovens.”
“Redes sociais já são as principais fontes de informação sobre Fórmula 1 entre os fãs mais jovens.”


Streaming e celular: a nova experiência da Fórmula 1


A Liberty Media implementou uma estratégia agressiva de modernização da marca, expandindo transmissões, abrindo bastidores e apostando em conteúdo sob demanda. Isso não só atraiu novos públicos como transformou fãs casuais em seguidores ativos.


Para André, a diferença é nítida:

“Totalmente diferente depois que a Liberty assumiu. Ampliou a mídia e trouxe um público diferente daquele estilo ‘na minha época era mais difícil’.”

Rodolpho Santos, ex-piloto e criador de conteúdo técnico, reforça o impacto dessa modernização:

“A Liberty entendeu que, se o público não entra na pista, a pista precisa entrar no público. Hoje você tem onboard, rádio, câmera de volante, análise em tempo real. Isso criou um fã muito mais informado.”

Rodolpho Santos ex-piloto e agora comentarista automobilístico na internet Foto (Internet)

E explica como sua comunicação ampliou esse alcance:

“Quando você mostra a complexidade do que acontece dentro do carro, o jovem passa a enxergar a corrida de outro jeito. Muitos que me seguem começaram a assistir F1 por causa dos vídeos.”

Segundo o levantamento global, 95% dos fãs preferem assistir às corridas ao vivo, seja em streaming ou TV paga.



Jornalismo digital e redes sociais: convivência necessária


Com a ascensão dos criadores digitais, surge a discussão sobre o papel do jornalismo especializado.


Para Lívia:

“Não é substituição. O que vemos é uma mudança de lógica. Criadores e veículos precisam coexistir.”

Rodolpho complementa com a visão técnica de quem está entre os dois mundos:

“A análise profunda ainda é essencial. Mas hoje a primeira porta de entrada de um fã novo é o celular. O jornalismo precisa falar essa língua também.”

O relatório global confirma essa convivência: fãs buscam rapidez nas redes sociais e profundidade na cobertura tradicional.


O novo ciclo da Fórmula 1 combina tecnologia, comunidade digital e renovação global de público. Foto (Getty Image)
O novo ciclo da Fórmula 1 combina tecnologia, comunidade digital e renovação global de público. Foto (Getty Image)

A Fórmula 1 vive um momento único: mais jovem, mais digital, mais acessível e mais participativa. A combinação entre streaming, criadores independentes, redes sociais e novos talentos brasileiros transformou o esporte em um diálogo diário — e não apenas em um evento de final de semana.


Racing BR, EFFE, Victor Ludgero e Rodolpho Santos representam essa nova fase: fãs, comunicadores, especialistas e apaixonados que tornaram o paddock mais próximo e o conteúdo mais democrático.


O resultado é claro: a F1 não apenas reconquistou o público jovem, ela aprendeu a falar com ele.

Comentários


LOGO Entrelinhas.png

 

© 2025 Entrelinhas por Laura Gomes. Todos os direitos reservados.

 

Você gostaria de receber as atualizações do Entrelinhas?

Universidade Veiga de Almeida

R. Ibituruna, 108 - Maracanã, Rio de Janeiro - RJ

Av. Gen. Felicíssimo Cardoso, 500 - Bloco A - Barra da Tijuca, Rio de Janeiro - RJ

  • Instagram
bottom of page