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Arte-Educação no desenvolvimento do indivíduo: Como atuam as sete artes na formação humana

  • Foto do escritor: Alunos UVA
    Alunos UVA
  • 30 de nov. de 2025
  • 6 min de leitura

Atualizado: 4 de dez. de 2025

A arte aliada à educação tem potencializado o desenvolvimento de crianças e jovens e se tornado cada vez mais requisitada em terapias e nas escolas.


Por: Fernanda Meucce e Marcelle Menendes


Foto: Acervo Leonardo Bastos.
Foto: Acervo Leonardo Bastos.

A antropologia, ciência que estuda o ser humano em suas diversas idiossincrasias, revela as origens culturais do homem até os dias de hoje. Desde a aparição das pinturas rupestres na Pré-História até os movimentos artísticos contemporâneos como o Funk e o Rap, a evolução humana desenvolveu suas habilidades orais, manuais e escritas através de manifestações culturais como a literatura, o teatro, a pintura, a escultura e a dança.


A Arte-Educação no ensino público: Os desafios encontrados pelos docentes.


A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) nº 9.394/96 tornou a arte um componente curricular obrigatório em todos os níveis da educação básica, incluindo escolas públicas e privadas. A pedagoga e inspetora escolar na Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro, Maria Xavier, descreve que o ensino de artes no ensino público é focado apenas na disciplina específica em artes que o docente concursado é especializado. “Como pedagoga eu acredito que o certo seria um tempo de aula para cada estilo artístico como a dança, o teatro, a pintura. Assim os alunos teriam a oportunidade de conhecer e desenvolver outras áreas de conhecimento artístico profundamente, afirma.


Em uma recente pesquisa realizada pelo Observatório Fundação Itaú em parceria com a Equidade.Info revelou que 88% dos estudantes e 89% dos professores gostariam que houvesse mais ações artísticas ou culturais em suas unidades escolares. A pedagoga enxerga que a mudança poderia ser feita através de políticas públicas que incentivassem o ensino artístico e fornecendo os materiais que contemplassem esse ensino, além do incentivo à visita de espaços culturais. “Poderiam ser incentivadas visitas à teatros e museus à alunos do ensino público, o conhecimento desse espaço cultural também é importante”.


O ator e professor de teatro do Colégio Pedro II Leonardo Bastos, revela que um dos maiores desafios de manter projetos artísticos educacionais em funcionamento hoje é uma política pública que permita que um projeto se desenvolva e tenha continuidade. “Você realiza um projeto que é um sucesso, mas no ano seguinte você não consegue continuar e perder essa continuidade desanda tudo o que foi trabalhado”, revela.


Foto: Acervo Leonardo Bastos
Foto: Acervo Leonardo Bastos


Foto: Acervo Leonardo Bastos
Foto: Acervo Leonardo Bastos

“Uma questão forte que a gente está cada vez mais relacionado na sociedade de hoje, é a produtividade. Que as coisas gerem produtos palpáveis, contáveis, que gerem renda e que visivelmente me traga um resultado concreto. Físico ou monetário. E a gente falando de arte, educação e desenvolvimento humano. Então, muitas vezes o resultado não é o produto, o resultado é um processo. O resultado exige mais do que um ano para. Ter realização para você ver algum impacto daquilo na vida das pessoas, às vezes não tem como mensurar. Então você tem muitos estudantes que voltam falando que o teatro é fundamental na vida deles e de formas muito diversas, que você não tem como registrar isso e dizer, olha, importante. Por isso é importante por aquilo.”, comenta o professor.


Arte, educação e psicologia: Aliados no desenvolvimento humano.


A estudante de jornalismo e atriz Beatriz Ferraz, 20 anos, neuro divergente, viu no teatro um caminho de novas possibilidades para o seu desenvolvimento pessoal e social. “Agora eu não continuo mais atuando por falta de tempo, mas o teatro me fez me sentir mais segura e menos tímida ao decorrer das dinâmicas e dos ensaios”, acrescenta.


A arte vem se mostrando aliada não só à educação, como também à psicologia através da arteterapia e da psicomotricidade. Ainda na década de 1940, a psiquiatra Nise da Silveira iniciou a prática de arteterapia no Brasil, a arte como ferramenta terapêutica aos internos do Centro psiquiátrico de Engenho de Dentro proporcionou a criação do Museu do Inconsciente, no qual ficam expostas obras dos seus pacientes. Inspirada pela teoria de Carl Jung, Nise acreditava que a expressão dos sentimentos através da ferramenta artística era um método terapêutico eficiente.


Nise da Silveira. Foto: Arquivo Nacional
Nise da Silveira. Foto: Arquivo Nacional

Fotos: Arquivo Nise da Silveira SAMII
Fotos: Arquivo Nise da Silveira SAMII

O Psicomotricista Claudio Pires de Oliveira, pós-graduado pela Universidade estadual do Rio de Janeiro em Educação e reeducação motora, explica que a psicomotricidade é um trabalho motor que promove o desenvolvimento de áreas do cérebro infantil e que recursos artísticos são grandes estimuladores no processo. “Dentro da psicomotricidade existe uma questão de ritmos e som, eu trabalho muito com ritmos e sons. Algumas crianças autistas não gostam do barulho, mas outras crianças neuro divergentes não interagem com os adultos e as crianças, mas gostam de cantarolar. A música é importantíssima. Toda sala de psicomotricidade tem que ter um espelho, se eu colocar uma música e começar a fazer uma coreografia e a criança me imitar já é um passo imenso.”




Areninha cultural Jacob do Bandolim: Reduto artístico em Jacarepaguá


Distante do eixo cultural Centro-Zona Sul, a Zona Sudoeste ainda possui poucos espaços culturais para a população local. Segundo o Censo demográfico de 2022 realizado pelo IBGE, a região de Jacarepaguá, que é o maior subdistrito da cidade do Rio de Janeiro, com uma população de 653 mil habitantes. A região conta apenas com uma Arena Cultural, a Areninha Cultural Jacob do Bandolim que passou por uma ampla revitalização e foi reinaugurada em 14 de dezembro de 2024 no bairro Pechincha.


A Arena também conta com o Palco Doce de coco para apresentações ao ar livre e com a Biblioteca Municipal Milton Santos. O espaço conta com apoio da Prefeitura do Rio de Janeiro e com a gestão da ONG Subúrbio Carioca. A areninha conta com diversas oficinas e espetáculos. A produtora Cultural Renata Morais afirma a importância de um espaço cultural na região e que atenda a comunidade local integrando crianças, jovens e adultos à cultura.


Palco da Areninha. Reprodução: Fernanda Meucce
Palco da Areninha. Reprodução: Fernanda Meucce

Então a gente tem várias atividades, algumas são gratuitas. No nosso plano de trabalho a gente tem atividades de esporte, atividades de música, teatro, ballet, dança de salão, dança charme, karatê, temos o projeto crias da Jacob, que são aula de violão e bandolim, fazendo jus ao nome do patrono Jacob do Bandolim, temos as aulas de cavaquinho, aulas de artesanato e turmas que realizam trabalhos de reciclagem.”, conta a produtora.


Débora Restum, atriz, diretora e professora de teatro na Areninha afirma que o espaço tem uma boa estrutura para os espetáculos e as aulas. “A areninha tem uma infraestrutura muito boa desde que ela foi reformada, a gente consegue tanto utilizar a sala multiuso como o palco proporcionando uma experiência profissional”.


 Débora Restum. Reprodução: Fernanda Meucce
Débora Restum. Reprodução: Fernanda Meucce

Através das improvisações, jogos e métodos teatrais inspirados no Teatro do Oprimido de Augusto Boal, Débora desenvolveu com a turma de teatro infantil a partir de uma criação coletiva a montagem “Alice, Xícaras, Cenas e Sonhos”. A diretora do espetáculo Débora Restum observou que a preparação da peça desenvolveu novas habilidades em seus alunos. “Eles desenvolveram primeiro a comunicação e a expressão. Eles passaram a se ouvir, ouvir seu corpo através dos jogos. O teatro possibilita uma comunicação da nossa camada mais interna até a mais externa.”, compartilha a diretora.


Débora Restum no palco antes do espetáculo. Reprodução: Fernanda Meucce

Confira a programação da Areninha: https://www.instagram.com/areninhajacobdobandolim/


Confira oficinas e cursos nos equipamentos culturais da Prefeitura do Rio de Janeiro:


A educação de arte no contexto social e humano


A atriz, preparadora corporal, arte-educadora e produtora Michele Codesey acredita que a arte tem como seu papel fundamental a formação do pensamento crítico em uma sociedade ainda precária em educação. “A gente só vai evoluir de fato quando olharem para a formação de alunos e valorização dos professores como algo essencial”.


Foto: Acervo Michele Codesey
Foto: Acervo Michele Codesey

Apesar do cenário incerto, Michele ainda tem esperanças de que a situação melhore e que a arte-educação seja valorizada no setor público e privado. Uma das soluções que acredita é a ampliação de políticas de incentivo, financiando ainda mais projetos incentivando artistas e entendendo a necessidade do trabalho artístico na sociedade.


O projeto dos CIEPs (Centros Integrados de Educação Pública) idealizado por Darcy Ribeiro, que até então atuava como secretário estadual de cultura e coordenador do Programa Especial de Educação do Estado do Rio de Janeiro nos anos 1980, tinha como objetivo integralizar o ensino ofertando atividades culturais, atividades esportivas, assistência médica. Essa infraestrutura completa proporcionaria aos jovens em vulnerabilidade social um ensino completo. Ao decorrer dos anos o projeto foi sofrendo descaracterizações através das mudanças de gestão do Estado, perdendo a eficácia e o principal objetivo: Educar e assistir.


Uma boa educação visa o ser humano como um todo, ampliando seus horizontes através do ensino e o colocando em lugares de posicionamento e crítica. A conscientização do contexto social e político o faz pertencer à sua nação como um cidadão e não apenas como mais um número em vulnerabilidade. O ensino de artes na grade curricular, explorando suas diversas formas expressivas promove a formação de inúmeras habilidades. Esse recurso investido em médio, longo prazo causará mudanças positivas na sociedade, no ponto de vista econômico e social. 



1 comentário


isabelfpinho
03 de dez. de 2025

Assisti a Alice, Xícaras, Cenas e Sonhos. Parabenizo o espaço Areninha pelo acolhimento dado a esta apresentação. Débora fez a arte acontecer em uma turma com várias alunos atípicos que vêm demonstrando uma melhora extraordinária na comunicação e na interação social. Momentos inesquecíveis repletos

de emoção e de alegria. Parabéns Débora.

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