Luz na Escuridão: o Instituto Benjamin Constant e o olhar sensível da inclusão
- Alunos UVA

- 1 de dez. de 2025
- 6 min de leitura
O Legado de José Álvares de Azevedo: A História e os Desafios Atuais do Instituto Benjamin Constant
Por Rafael Diogo e Victor Rezende
História do instituto
O Instituto Benjamin Constant (IBC) tem origem no comprometimento de um jovem brasileiro que transformou sua própria trajetória em um marco para a inclusão. Em 1850, José Álvares de Azevedo, então adolescente, iniciou no país um movimento pioneiro em defesa das pessoas cegas, historicamente excluídas da vida social e educacional.
Fundado a partir do ideal de inclusão de José Álvares de Azevedo, o Instituto Benjamin Constant tornou-se referência na educação de pessoas cegas no Brasil.

Cego de nascença e pertencente a uma família abastada do Rio de Janeiro, José foi enviado à França aos 10 anos para estudar no Real Instituto dos Meninos Cegos de Paris — à época, a única instituição especializada no mundo. Foi lá que teve contato com o Sistema Braille, método de leitura criado por Louis Braille em 1825 e que viria a transformar definitivamente a vida de pessoas cegas em todo o planeta.
Aos 16 anos, de volta ao Brasil, José iniciou uma campanha para divulgar o Braille e estabelecer no país uma escola capaz de oferecer educação semelhante à que recebera na Europa. Promoveu palestras em residências e salões da Corte, publicou artigos em jornais e assumiu pessoalmente a missão de ensinar outros cegos a ler e escrever. Tornou-se, assim, o introdutor do Sistema Braille no Brasil e o primeiro professor cego a atuar oficialmente no país.
A origem do Instituto
A oportunidade de consolidar o projeto surgiu por meio de uma de suas alunas, Adélia Sigaud, filha do médico da Corte Imperial, Dr. Francisco Xavier Sigaud. Graças à influência dele, José obteve audiência com o imperador Pedro II, que se impressionou com a eficácia do Braille e autorizou a criação de uma escola dedicada ao ensino de pessoas cegas.
Quatro anos após essa autorização, em 17 de setembro de 1854, era inaugurado na Rua do Lazareto, na Gamboa, o Imperial Instituto dos Meninos Cegos — primeira instituição de educação especial da América Latina. A inauguração, no entanto, ocorreu sem seu idealizador: José Álvares de Azevedo havia morrido seis meses antes, aos 20 anos, vítima de tuberculose.
Em 1864, o Instituto foi transferido para a Praça da Aclamação, atual Campo de Santana. Com a Proclamação da República, recebeu os nomes de Instituto dos Meninos Cegos e, posteriormente, Instituto Nacional dos Cegos. O crescimento contínuo do número de alunos motivou a construção de uma sede maior. O prédio neoclássico localizado na antiga Praia da Saudade, hoje Praia Vermelha, foi inaugurado em 26 de fevereiro de 1891. Pouco depois, a instituição passou a se chamar Instituto Benjamin Constant — denominação que mantém até hoje.
O IBC foi fechado em 1937 para a conclusão da segunda fase de obras e reaberto em 1944. No ano seguinte, criou seu curso ginasial, equiparado ao do Colégio Pedro II em 1946. A partir daí, estudantes cegos passaram a ter acesso ampliado ao ensino secundário e às universidades, consolidando o papel do Instituto como referência nacional na formação e inclusão educacional.
Referência nacional inclusiva
Atualmente, o Instituto Benjamin Constant (IBC) vai além do papel de escola voltada a crianças e adolescentes cegos, surdos e cegos, com baixa visão ou deficiência múltipla. A instituição se firmou como um centro de referência nacional em deficiência visual, atuando na capacitação de profissionais, no assessoramento a instituições públicas e privadas e na reabilitação de pessoas que perderam total ou parcialmente a visão.
Com o passar dos anos, o IBC também ampliou sua atuação no campo da saúde. Tornou-se um reconhecido centro de pesquisas em Oftalmologia e abriga um dos programas de residência médica mais respeitados do país. Por meio desse programa, oferece atendimento clínico à população, incluindo consultas, exames e cirurgias oftalmológicas.
A instituição mantém ainda forte compromisso com a produção e a disseminação de conhecimento na área da Educação Especial. Sua Imprensa Braille edita e imprime livros e revistas no sistema de leitura tátil, além de disponibilizar um amplo acervo eletrônico de publicações científicas, contribuindo para o avanço das pesquisas e práticas relacionadas à inclusão de pessoas com deficiência visual.
O Imperial Instituto dos Meninos Cegos, fundado em 1854 no Rio de Janeiro, foi a primeira instituição escolar brasileira dedicada exclusivamente à educação de pessoas com deficiência visual. A escola oferecia ensino primário, formação musical, qualificação profissional e parte do ensino secundário, tornando-se referência pioneira no país.
O recorte temporal abrange a segunda metade do século XIX, período em que a capital do Império testemunhou o surgimento da primeira instituição de ensino voltada às pessoas cegas. Entre os documentos analisados estão relatórios da administração do Instituto e de autoridades do Ministério dos Negócios do Império, responsáveis por acompanhar as políticas educacionais.
Ao longo de sua trajetória, o Imperial Instituto dos Meninos Cegos estabeleceu as bases para a educação de pessoas cegas no Brasil, promovendo desenvolvimento intelectual e certa autonomia aos alunos. Entretanto, a instituição também foi alvo de críticas por características de natureza asilar presentes em suas práticas históricas.
Entrevistamos o aluno de jornalismo da Universidade Veiga de Almeida Vitor Barbos que frequentou desde pequeno o instituto.

Ao ser entrevistado, Vitor contou que procurou o Instituto por ter perdido a visão com sete meses após descolamento de retina, nenhum colégio quis recebe-lo e o Instituto Benjamin Constant é um colégio especializado em cegos, baixa visão e surdo cegueira.
Sua experiência no Instituto, no âmbito de material, tem um bom desempenho, mas no âmbito da socialização, ele é muito muito despreparado. Em seu tempo de estudo, Beijamim Constat não teve preparo para lidar com ele por conta de eu ter uma condição social melhor do que os outros alunos e que sofreu muito bullying.
Vitor teve aulas de braile, bengala, mas não teve aulas de atividades da vida diária, tendo que se virar, porque não tinha professor.
Ele acrescentou que sua experiência acrescentou sim, pois teve ensinamentos para a vida, porém me atrapalhou demais, por conta do bullying que eu sofreu, que o gerou traumas muito sérios, tendo que ir atrás de terapia.
Modernização sem perder identidade
O bairro da Urca, na zona sul do Rio de Janeiro, revela um contraste marcante entre a preservação de seu patrimônio arquitetônico tombado e as demandas contemporâneas por modernização e acessibilidade. Essa convivência evidencia um debate permanente sobre como compatibilizar a memória urbana com as necessidades atuais, especialmente no campo da educação inclusiva.
A Urca reúne construções históricas, casarões antigos e elementos arquitetônicos que remetem ao início do século XX e ao movimento Art Déco, especialmente em áreas próximas ao Lido. O conjunto é protegido por órgãos como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e por instâncias municipais, que regulam reformas e impedem alterações que comprometam as características originais dos imóveis. Essa proteção garante a manutenção da paisagem histórica, mas também impõe restrições a intervenções estruturais.

Os esforços de modernização urbana esbarram frequentemente nas normas de tombamento. A construção de novos edifícios, a alteração de fachadas e a ampliação de infraestruturas podem gerar conflitos visuais com o entorno histórico. O planejamento urbano no bairro exige equilíbrio: atender às demandas contemporâneas sem descaracterizar a identidade arquitetônica da região. Além disso, questões práticas — como mobilidade, sustentabilidade e melhorias de infraestrutura — tornam-se ainda mais complexas em áreas onde há limitações rígidas para obras.
Acessibilidade e ensino inclusivo em foco
As exigências de acessibilidade, essenciais para a educação inclusiva, ampliam esse desafio. A instalação de rampas, elevadores, pisos táteis e sinalização adaptada nem sempre é compatível com edifícios tombados, e intervenções estruturais podem ser limitadas pelas regras de preservação. Instituições como o Instituto Benjamin Constant (IBC) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ambas presentes no bairro, buscam alternativas que permitam conciliar acessibilidade e proteção histórica. Entre as soluções estão o uso de tecnologias assistivas e adaptações discretas que não comprometam a integridade arquitetônica.
Passado e presente em constante negociação
O contraste visual observado na Urca reflete um debate mais amplo sobre a própria cidade: como modernizar sem apagar o passado e como assegurar inclusão social e educacional em um território marcado pela preservação. A convivência entre memória e inovação permanece como um dos principais desafios da região.
Entrevista com o instituto
Ao longo da montagem dessa matéria tentamos contato com a diretoria e subdiretoria do instituto, mas não obtivemos resposta. No dia 11 de novembro de 2025 fomos até o local para poder tirar fotos e tentar marcar alguma entrevista, já que a primeira tentativa não houve sucesso, chegando lá, conhecemos a professora e assessora Ana Maria Nobrega, ela nos passou seu email pedindo as perguntas, mas não respondeu nossa mensagem pedindo entrevista.




Comentários