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Como os jovens brasileiros estão redefinindo o começo em solos internacionais.

  • Foto do escritor: Alunos UVA
    Alunos UVA
  • 1 de dez. de 2025
  • 8 min de leitura

Do Brasil ao mundo: Estudantes que estão em busca de mais experiências longe de casa


Por Júlia Cotrim e Juliana Knauer


Foto : Google
Foto : Google

O começo de um sonho

Em um mundo cada vez mais interconectado, milhares de brasileiros estão reinventando suas vidas em solos estrangeiros. Jovens que aterrissam em aeroportos desconhecidos, com o coração apertado e a ansiedade ao extremo, porém com as expectativas  de uma vida nova crescendo cada vez mais. 


O intercâmbio, é uma experiência com um potencial transformador que oferece diversos ganhos na área acadêmica, profissional e principalmente pessoal. No entanto, acabam enfrentando rupturas emocionais, a discriminação sutil e a distância familiar que nenhuma chamada de vídeo preenche. 


Entrevistamos a advogada especializada em imigração, Larissa Salvador, que nos explicou quais são os primeiros passos que um estudante que deseja estudar ou morar fora, deve fazer para começar sua jornada. “ É fundamental escolher escolas credenciadas, façam suas pesquisas, entendam o tipo de visto que vocês estão pegando, saber se você pode ou não trabalhar enquanto estuda, é essencial, ter uma reserva financeira real, porque às vezes, os estudantes precisam saber o que fazer quando eles não tem mais uma renda contínua, então é importante ter esse planejamento. Evitar promessas falsas de agências, ter orientação jurídica antes de viajar e obviamente, planejar desde o início se existe a possibilidade futura de mudança de status.”, afirma.


Para o estudante e pesquisador Erick Campanelli, 27 anos, essa foi uma das melhores escolhas que já fez. “A experiência vivida aqui ampliou a minha visão sobre a minha área de pesquisa, mostrando outras possibilidades e metodologias que não conhecia, mas que podem agregar em meu trabalho no futuro. A rotina foi algo que me adaptei fácil, visto que consegui me adaptar à rotina que tenho no Brasil, no qual em geral, durante a semana, trabalho durante o dia e vou para academia e/ou mercado na parte da noite. Nos fins de semana, saio para visitar pontos turísticos e conhecer restaurantes.”, afirma. 


A saudade pode ser um obstáculo, mas Erick não deixou isso atrapalhar sua jornada, “A parte de ficar longe da família e amigos é parte mais difícil do processo, mas é algo que vai melhorando com o tempo, principalmente nos dias atuais, em que podemos a qualquer hora enviar mensagens e/ou fazer ligações, facilitando a interação com as pessoas que ficaram no Brasil. Principalmente no início, fiquei bastante inseguro, mas isso não me fez querer desistir ou voltar.”, completa.

Erick em vídeo chamada com sua prima (Crédito: Arquivo Pessoal)
Erick em vídeo chamada com sua prima (Crédito: Arquivo Pessoal)

Pesquisas e Aprendizados

Segundo o Student Travel Bureau (STB), o  número de brasileiros que realizaram intercâmbio aumentou 15% em 2024 em comparação ao ano de 2023, e deve crescer cerca de 17% em 2025.

Gráfico sobre o aumento de estudantes em intercâmbio durantes os últimos anos ( Feito por: Juliana Knauer)
Gráfico sobre o aumento de estudantes em intercâmbio durantes os últimos anos ( Feito por: Juliana Knauer)

Os Destinos mais procurados incluem Canadá, EUA, Austrália e outros países na Europa. Para a jovem Gabrielle Rezende, que realizou o tão sonhado intercâmbio no ano de 2024, nos conta como  foi sua experiência e o que ela aprendeu durante seu tempo fora, na Áustria. 


Gabrielle embarcou sem expectativas concretas: “Eu nunca tinha pensado em ir pra Áustria. Tudo era muito novo, então eu realmente não sabia o que esperar.”, afirma a estudante. A insegurança inicial veio do idioma: “Eu não falava alemão, e isso me deixava tensa até pra coisas simples, como ir ao mercado.”, completa.


Apesar disso, a jovem ressalta que o intercâmbio logo se mostrou surpreendente. “O que mais me chocou foi a educação deles. Mesmo sem nenhum carro, as pessoas esperavam o sinal abrir para atravessar. Era um respeito que eu nunca tinha visto.”


Ela explicou que viver fora do país exige um nível de autonomia que muitos só descobrem depois da chegada. Segundo relatou, o intercâmbio “abre a cabeça de um jeito que nenhuma outra experiência abre”, justamente porque coloca o estudante diante de situações cotidianas em outra língua, com outra cultura e longe da rede de apoio familiar. Para ela, esse processo é inevitavelmente formador.


A estudante destacou que a rotina no exterior vai muito além do que aparece nas redes sociais. Disse que muitos imaginam que o intercâmbio é marcado apenas por fotos bonitas e viagens, mas que, na prática, ele também envolve desafios emocionais e responsabilidades diárias. “É lidar com saudade, com medo, com a pressão de resolver tudo sozinha. Essa parte quase ninguém mostra, mas é a que mais ensina”, afirmou.


Segundo ela, o maior impacto do intercâmbio foi descobrir novas versões de si mesma. “A gente cresce muito quando está longe de casa. Aprender a confiar, a ter coragem. É uma libertação.”, completa.


Para quem ainda está em dúvida, ela resume a experiência com uma recomendação: “O mundo é grande demais para a gente ficar só no mesmo lugar. Se tiver a chance, vá. Você volta diferente e volta melhor.”


Estudando Gabrielle em seu intercâmbio na Áustria (Crédito: Arquivo Pessoal)
Estudando Gabrielle em seu intercâmbio na Áustria (Crédito: Arquivo Pessoal)

Planejamentos e Metas

Entre os jovens brasileiros, o desejo de estudar ou morar fora está deixando de ser apenas um sonho distante e está ganhando vida nos últimos tempos. Muitos passam meses pesquisando e planejando os destinos, as exigências acadêmicas, enquanto também tentam lidar com a ansiedade de não saber se o visto será aprovado ou se o inglês vai dar conta. Nas redes sociais, o intercâmbio pode parecer um bom recorte de cafés, novos amigos, lugares turísticos, mas, fora da tela, o processo exige maturidade e uma coragem que nem sempre cabe na idade. 


Para a estudante de moda, Beatriz Sampaio, 21 anos, essa com certeza será uma etapa muito importante na sua vida. “O que mais me motivou a estudar fora, sem dúvida, foi o curso e a área que eu escolhi para a minha vida profissional, que é moda. Em um país como o Brasil, infelizmente a moda tem um lugar muito pequeno e de pouco destaque. Justamente por a gente lutar e defender causas muito mais importantes, e a moda não conseguir ter esse destaque, essa importância diante de tantas problemáticas no nosso país, então é difícil o desenvolvimento nessa carreira profissional. Por conta disso, eu pensei em ir para fora, para Miami em específico, por já ter uma familiaridade com a cidade e por causa da faculdade, que é uma das melhores faculdades de moda.”, afirma. 


Entre cursos preparatórios, cursos de línguas estrangeiras e o ritual de reduzir a vida a algumas malas, esses jovens aprendem que partir não é sinônimo de fuga, mas de apostar em si mesmos. “Eu acredito que essa experiência será mais importante na minha vida pessoal do que profissional, para o meu desenvolvimento como pessoa, no meu amadurecimento, lidar com as minhas emoções, sair mesmo da minha zona de conforto.” , completa.


De acordo com a STB e o Travel.State.Gov, o Visto F-1 é um dos passos mais importantes para quem quer estudar fora. A advogada também nos conta com mais detalhes, os erros mais comuns que estudantes cometem ao solicitar o visto. “Os erros mais comuns são as informações inconsistentes, entre o DS-160, a escola e a entrevista, às vezes, a pessoa não está preparada. A falta de comprovação financeira adequada, não demonstrar vínculos com o Brasil, isso é essencial em qualquer visto que você vai fazer e escolher cursos que não fazem sentido com o histórico profissional ou acadêmico, mentindo ou omitindo informações” afirma. 


A advogada também nos explica quais são os documentos mais importantes nessa etapa, “Pode até parecer loucura ter que falar, mas existem pessoas que querem iniciar o processo, sem ter o básico, o passaporte válido. Você precisa ter um passaporte válido, ter um formulário I 20, que é emitido pela escola que é o que certifica o consulado de que você já está matriculado em um curso, que a escola já te aceitou. Comprovantes financeiros, para comprovar que você pode se bancar, comprovante de vínculo com o Brasil também, pois não adianta você apenas dizer que tem família no Brasil, você precisa ter aluguel ou um emprego fixo, ter pagamento de carro, entre outros comprovantes. O DS-160 precisa ser preenchido corretamente, com todas as informações e isso faz muita diferença, o histórico escolar e profissional e a carta da escola.”, completa.


Organização Financeira

Como organizar as finanças durante o intercâmbio?”. Essa é uma das perguntas importantes que os estudantes fazem na hora de estruturar o intercâmbio. Organizar a vida financeira para um intercâmbio é quase como montar um roteiro de viagem: exige calma, pesquisa e uma boa dose de sinceridade sobre o que cabe ou não no bolso. Antes de qualquer decisão, é importante entender o custo real da experiência, que vai muito além das mensalidades da universidade. Moradia, alimentação, transporte, seguro, materiais e até aquele cafezinho de fim de tarde entram na conta. Criar uma planilha simples, mas completa, ajuda a enxergar o tamanho do investimento e a evitar sustos no meio do caminho. Quando o planejamento fica visível, tudo se torna mais concreto e menos assustador.


Depois de ter uma noção clara do total necessário, começa a parte prática: economizar. E isso, muitas vezes, significa rever prioridades, cortar alguns gastos e buscar novas fontes de renda, como freelas ou pequenos trabalhos. Muita gente cria uma espécie de “poupança do intercâmbio”, programando depósitos automáticos para não depender da força de vontade diária. Também vale ficar de olho em bolsas, descontos e financiamentos oferecidos por universidades lá fora. Muitos desses auxílios são voltados justamente para estudantes internacionais e podem aliviar bastante o orçamento.


E, claro, nenhum plano fica completo sem um fundo de emergência. Imprevistos acontecem, especialmente quando se está longe de casa, como variações no câmbio, despesas médicas inesperadas, reajustes de aluguel ou até a compra de algum material extra. Ter uma reserva específica traz segurança e evita que pequenos problemas virem grandes dores de cabeça. No fim das contas, se organizar financeiramente não é sobre limitar sonhos, mas sobre dar a eles um caminho possível. Com informação, disciplina e um pouco de estratégia, o intercâmbio deixa de ser um plano distante e se torna uma experiência real e muito mais leve.


Do ENEM ao exterior

Muitas pessoas não sabem, mas existem sim universidades fora do Brasil que aceitam a nota do Enem. Diversas faculdades ao redor do mundo têm aberto as portas para estudantes brasileiros usando apenas a nota do ENEM, um movimento que vem facilitando o sonho de estudar fora sem a necessidade de enfrentar provas adicionais, como o SAT ou o TOEFL, em vários casos. Em Portugal, por exemplo, instituições tradicionais como a Universidade de Coimbra e a Universidade do Porto já tratam o ENEM como equivalente ao exame nacional português. Isso permite que brasileiros se candidatem diretamente a cursos de áreas como Engenharia, Medicina e Humanidades, desde que alcancem a pontuação mínima exigida, geralmente acima de 600 pontos, e comprovem proficiência na língua do curso escolhido.


Na Espanha, universidades como a de Barcelona e a Complutense de Madrid também passaram a considerar a nota do ENEM, especialmente em programas de intercâmbio vinculados a acordos entre países. Nesses casos, a pontuação brasileira é convertida para a escala do Bachillerato espanhol, abrindo caminho para estudar em cidades vibrantes como Barcelona e Madri, e muitas vezes, com taxas mais acessíveis que as de instituições privadas.


Esse reconhecimento internacional, impulsionado por acordos educacionais, não só facilita o acesso dos brasileiros ao ensino superior em outros países, como também incentiva a troca cultural e acadêmica. Cada vez mais estudantes têm a chance de ampliar horizontes, viver novas experiências e construir uma formação com olhar global. Ainda assim, é importante ficar atento às exigências específicas de cada universidade, já que critérios como vagas, processos de equivalência e documentos podem variar. Em países como Itália e França, algumas instituições também têm adotado o ENEM em seus processos seletivos, ampliando ainda mais o leque de possibilidades para quem sonha com uma experiência internacional enriquecedora.


Como disse a estudante Beatriz Sampaio, “Não tem forma melhor para crescer e se desenvolver, sem ser saindo da sua zona de conforto.”


 
 
 

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