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A Segurança Pública Nas Praias da Barra da Tijuca

  • Foto do escritor: Alunos UVA
    Alunos UVA
  • 1 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Uma História de Contrastes entre Beleza, Rotina e Insegurança


A Barra da Tijuca sempre teve um brilho próprio. Quem chega ali pela manhã, seja morador antigo ou visitante eventual, reconhece o cenário que fez a região ganhar o apelido de “Miami Brasileira”: prédios espelhados refletindo o sol, quiosques abrindo as portas, surfistas carregando pranchas ainda pingando e uma brisa constante que parece empurrar a cidade para longe do caos.


Com mais de 18 quilômetros de extensão — a maior praia do Rio — a Barra oferece um pouco de tudo. Tem canto sossegado para quem quer fugir de multidões, tem trecho badalado para quem procura movimento, e tem a famosa Praia do Pepê, onde a concentração de turistas e cariocas é constante. Um lugar onde, em teoria, lazer e segurança deveriam caminhar juntos.


Mas nem sempre caminham.



Entre a Beleza e o Medo


Durante o verão, ou naquelas ondas de calor que mudam a rotina da cidade, a prefeitura reforça o policiamento na orla para tentar conter furtos, arrastões e confusões. A presença dos agentes é visível — carros, motos, guardas caminhando no calçadão. Ainda assim, moradores e frequentadores dizem que a sensação de tranquilidade se desfaz rápido demais.


Os números mostram que o investimento em segurança no Brasil tem aumentado. Em 2024, os homicídios dolosos caíram 6,33% em relação ao ano anterior, e crimes como latrocínio também mostraram redução. O governo federal destinou R$ 2,4 bilhões ao setor, e as apreensões de drogas aumentaram. Um cenário nacional que, no papel, parece apontar avanços.


Mas para quem vive o cotidiano da praia, os dados não contam toda a história.



O Olhar da Linha de Frente


O Grupamento Especial da Praia (GEP) é uma das frentes que tenta organizar e proteger o espaço. Os agentes trabalham não apenas na repressão a crimes, mas também no ordenamento da orla — algo que, para muitos, passa despercebido.


Enquanto observa o movimento de vendedores, famílias e turistas, o guarda Macedo comenta:


“Hoje estamos trabalhando com o decreto 56072, que fala sobre o ordenamento na praia. Tem músicas que ostentam violência, muita música pornográfica. O prefeito tentou amenizar isso proibindo som alto na praia.”

A regra tenta manter o ambiente mais pacífico, mas Macedo reconhece: segurança é um desafio diário.



Quando a Estatística Vira Realidade


Mesmo com policiamento, 2025 registrou aumento nos roubos a transeuntes na Barra da Tijuca. Só em janeiro, foram 88 casos — contra 75 no mesmo mês de 2024.


Para quem frequenta o local há anos, como Natália, a mudança é clara.


E por conta dessas mudanças ela diz que só se sente segura apenas em áreas específicas da praia:


“me sinto segura apenas no início da praia por conta do pequeno movimento, e acaba tendo muito mais policiamento e mais bombeiros, nunca presenciei um assalto aqui, apenas no início da avenida Ivan lins.”

O medo, para ela, não é mais uma possibilidade: é parte do cotidiano.



A Visão De Quem Trabalha Na Areia


Para os pequenos empreendedores, a praia é o ponto de sustento — e também um termômetro da segurança.


Célio, vendedor de sorvete, empurra seu carrinho pela areia quente enquanto divide sua percepção. Ele reconhece a presença policial, mas vê limitações:


“Acredito que seja regular. Eles ficam mais no calçadão. Na areia, eles não descem não. Mas quase não dá problema na areia… Quando acontece, os assaltantes correm pro calçadão, e lá eles são pegos”


Para ele, segurança existe, mas não é uniforme.

Um território extenso demais para pouco policiamento?


Apesar dos esforços da prefeitura e do trabalho de grupos como o GEP, a sensação de quem vive a praia é outra: a de que a faixa de areia — onde muita gente relaxa, corre, brinca, trabalha — continua mais vulnerável que o restante da orla.


A extensão gigantesca da Barra, somada ao fluxo intenso de pessoas, torna quase impossível um monitoramento completo. Moradores pedem mais presença. Frequentadores relatam pequenos furtos que nem chegam a ser registrados. Comerciantes veem o risco e esperam que a prefeitura se movimente mais.


E assim, entre ondas, sol, policiamento e relatos de insegurança, a Barra da Tijuca segue vivendo um contraste que já virou parte de sua história recente: a de ser ao mesmo tempo uma das praias mais bonitas do Rio e uma das que mais desafiam a segurança pública da cidade.








 
 
 

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