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A FORÇA INVISÍVEL DO ESPORTE

  • Foto do escritor: Alunos UVA
    Alunos UVA
  • 1 de dez. de 2025
  • 5 min de leitura

COMO A PRÁTICA ESPORTIVA TRANSFORMA JOVENS POR DENTRO E POR FORA


Por: Raphael Rodrigues Ferreira, Gabriel Lopes Machado


Mais do que quadras, campos ou areias, o esporte funciona como um espaço silencioso de formação humana, um território onde o jovem aprende a lidar com frustrações, constroem autoestima, descobrem quem são e percebem que a vitória mais importante não está no placar, mas na própria trajetória. Professores de diferentes modalidades mostram como a prática esportiva tem moldado novas gerações, desenvolvendo cidadãos mais conscientes, resilientes e emocionalmente preparados para a vida. E, cada vez mais, a ciência confirma aquilo que a prática esportiva revela diariamente: o esporte transforma tanto o interior quanto o exterior.


A CONSTRUÇÃO DO CIDADÃO A PARTIR DO ESPORTE


Felipe Martins Machado, Professor de Educação Física do Colégio Danielle Mattos--- Reprodução: Gabriel Lopes
Felipe Martins Machado, Professor de Educação Física do Colégio Danielle Mattos--- Reprodução: Gabriel Lopes










Felipe Martins vê diariamente jovens sendo moldados pelo esporte, não apenas atletas em formação, mas pessoas que descobrem, dentro de quadra, valores que carregam para a vida. Para ele, a disciplina que nasce quando um adolescente se dedica a uma modalidade cria uma espécie de espelho interno: o aluno percebe que, se não desiste de uma bola, também não deve desistir de uma faculdade, de um emprego ou de uma oportunidade que surge pelo caminho. O esporte, afirma, cria cidadãos.

Essa perspectiva encontra evidências solidas na ciência. Estudos recentes mostram que a formação esportiva melhora funções executivas como: atenção, memória de trabalho e controle emocional, habilidades essenciais para qualquer trajetória pessoal e profissional. Revisões de alto nível apontam que aulas de educação física e prática regular ao longo da semana favorecem o desempenho escolar, impulsionando memória, concentração e resultados em provas.

Na convivência esportiva, Felipe percebe mudanças profundas. A competitividade natural pode gerar brigas ou julgamentos, mas quando o professor orienta o olhar para o coletivo, tudo muda: o gol perdido passa a ser uma boa tentativa, e o gol marcado vira celebração de todos. Assim nasce a verdadeira noção de equipe, aquela que transcende a quadra e vira vínculo de vida.


As transformações, segundo ele, são imensuráveis. E a ciência concorda. Meta-análises recentes mostram que o esporte fortalece a autoestima, reduz sintomas de ansiedade e melhora o bem-estar psicológico. Especialmente em esportes coletivos ou quando há mentoria e acolhimento, como Felipe faz diariamente.

 

Para o professor, a derrota é a maior professora. E a literatura reforça: lidar com frustração dentro do esporte cria caminhos para lidar com frustrações da vida adulta. Isso explica por que jovens envolvidos em práticas esportivas regulares tendem a permanecer mais tempo na escola e a desenvolver maior resiliência emocional.

Felipe também carrega histórias que comprovam isso na prática. Uma delas é a de uma menina de comunidade, disciplinada e dedicada, que iniciou no handebol em um projeto social. Anos depois, conquistou bolsas, entrou na UFRJ como atleta e, formada, enviou ao professor uma mensagem emocionada, lembrando que tudo começou com uma oportunidade. Para Felipe, acompanhar essa trajetória é assistir ao poder invisível do esporte transformando destino.



FUTEBOL COMO EDUCAÇÃO PARA A VIDA

Para Gustavo Pinheiro, o futebol é mais do que técnica: é uma escola emocional.---- Reprodução: Gabriel Lopes
Para Gustavo Pinheiro, o futebol é mais do que técnica: é uma escola emocional.---- Reprodução: Gabriel Lopes











Ele observa diariamente como o esporte ensina jovens a lidar com vitórias e derrotas, frustrações e expectativas — e esse aprendizado influencia fora das quatro linhas. O campo se torna um laboratório de vida, onde se aprende que alguns dias são bons e outros não e que isso faz parte da vida.

As evidências científicas reforçam sua visão: pesquisas indicam que atividade física regular reduz sintomas depressivos e ansiosos em crianças e adolescentes, melhora o humor, fortalece habilidades sociais e desenvolve autorregulação. Em muitos casos, o esporte torna-se um ponto de equilíbrio emocional para jovens que enfrentam desafios fora do campo.

 

Gustavo trabalha com uma metodologia clara: hora de brincar, hora de treinar. Ele ensina que o compromisso é parte da evolução técnica, tática e emocional. Estudos recentes mostram que esportes estruturados, com rotina e acompanhamento, têm impacto especialmente positivo no desenvolvimento cognitivo e comportamental.


reprodução: Gabriel Lopes
reprodução: Gabriel Lopes











Os torneios, segundo ele, são fundamentais: expõem a criança à pressão real, ao ambiente competitivo, à torcida e ao adversário que também quer vencer. São vivências que desenvolvem responsabilidade. Pesquisas internacionais apontam que esse tipo de experiência, quando bem conduzida, fortalece autocontrole, tomada de decisão e resiliência.

 

Ao longo dos anos, Gustavo viu alunos tímidos se tornarem sociáveis, crianças agitadas aprenderem autocontrole e jovens com dificuldade de respeitar regras desenvolverem disciplina. Para ele, a evolução pessoal é mais valiosa que qualquer habilidade técnica.

Ele também destaca a importância de controlar a pressão familiar. A literatura confirma: ambientes esportivos com cobrança excessiva podem gerar ansiedade, queda de rendimento e abandono da prática. Por isso, seu lema é firme e simples: professores ensinam; pais torcem.


A TOMADA DE DECISÃO NA VELOCIDADE DO VÔLEI

Com Roger Luis, Professor da Academia Supernova-Reprodução: Raphael Rodrigues
Com Roger Luis, Professor da Academia Supernova-Reprodução: Raphael Rodrigues














No vôlei, tudo acontece em segundos. Para Roger Luís, isso transforma o esporte em uma ferramenta poderosa de formação cognitiva. Jovens que treinam vôlei aprendem a tomar

decisões rápidas, antecipar movimentos e resolver problemas sob pressão — habilidades diretamente relacionadas ao desempenho acadêmico e à vida adulta.

A literatura científica ratifica essa percepção: estudos mostram que atividades que exigem raciocínio rápido e coordenação complexa melhoram a capacidade de tomar decisões rápidas, impulsionando memória, atenção e capacidade de resolver problemas.


Membros do time Supernovas. Reprodução: Raphael Rodrigues
Membros do time Supernovas. Reprodução: Raphael Rodrigues




















O caráter coletivo do vôlei reforça o valor da interdependência. São seis jogadores que precisam uns dos outros. Isso cria cooperação, diálogo e responsabilidade — características essenciais para a construção de habilidades socioemocionais, apontadas como benefícios centrais da prática esportiva em revisões internacionais.

 

A disciplina, para Roger, é visível na postura dos alunos. Quando a constância se instala, o corpo se organiza, as jogadas fluem e a maturidade aparece. Esse amadurecimento, a ciência mostra, está diretamente ligado à rotina esportiva que estrutura comportamento, regula emoções e fortalece a autoestima.

 

Uma história, porém, ultrapassa qualquer dado: a de um jovem com autismo que encontrou no vôlei um caminho de evolução surpreendente. Seus testes clínicos mostraram melhora significativa, e ele chegou a vencer uma competição inclusiva internacional. O caso exemplifica o que pesquisas vêm apontando: programas esportivos inclusivos oferecem benefícios mentais e sociais robustos.


FUTEVÔLEI: UM ESPORTE QUE UNE E CURA


Com Gabriel Bragança, Instrutor de Futevôlei do CT Bragança----Acervo pessoal
Com Gabriel Bragança, Instrutor de Futevôlei do CT Bragança----Acervo pessoal





















Para Gabriel Bragança, o futevôlei transcende a técnica: é cura, acolhimento e socialização. A modalidade exige trabalho em equipe diálogo e capacidade de lidar com o erro do parceiro — um exercício permanente de empatia e autoconsciência.

Gabriel percebeu mudanças claras nos alunos: disciplina, controle emocional e respeito às individualidades. A literatura confirma: esportes com forte componente social estão associados a maior coesão, senso de pertencimento e redução de sintomas de ansiedade.

 

O futevôlei, além disso, é inclusivo. Permite adaptação para diferentes corpos e idades, funcionando como ponte para autoestima e saúde mental. E Gabriel viveu isso de perto ao acompanhar a trajetória de uma aluna que superou um quadro grave de ansiedade por meio da prática esportiva .um exemplo vivo do que pesquisas recentes mostram: atividade física regular é um dos mecanismos mais eficazes para reduzir mal-estar psicológico em jovens e adultos.


CONCLUSÃO: O ESPORTE COMO ESCOLA DA VIDA


A fala dos quatro profissionais vindos do handebol, futebol, vôlei e futevôlei, converge com o que as pesquisas internacionais têm demonstrado:

o esporte forma pessoas.

Forma jovens capazes de:


  • lidar com frustrações,

  •  tomar decisões sob pressão,

  • viver em coletividade,

  •  reconhecer limites,

  • desenvolver autocontrole,

  • fortalecer autoestima e construir disciplina.

  • persistir diante dos obstáculos.


Análises recentes mostram ganhos cognitivos, sociais e emocionais; melhorias acadêmicas modestas, porém consistentes; e impacto positivo no bem-estar psicológico. Em contextos vulneráveis, quando aliado a mentoria, rotina e acompanhamento, o esporte se torna um mecanismo de proteção social reduzindo riscos, criando redes de apoio e expandindo conhecimentos, possibilidades e visão do mundo.

 

Cada treino, cada derrota, cada conversa, cada pequena evolução compõe um processo que ultrapassa o corpo. O esporte vira refúgio, escola silenciosa, ponte para futuros possíveis muitas vezes surpreendentes.

E na soma das histórias e evidências, uma conclusão se impõe: quando a esforço e orientação, o esporte não apenas transforma os jovens, Ele transforma vidas.




 
 
 

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